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+ ARQUITETURA: Mirante Lagoa da Conceição - Proposta Espaço Cultural.

Publicado em 11/11/2020 Editoria: Arquitetura Comente!


+ ARQUITETURA: Mirante Lagoa da Conceição - Proposta Espaço Cultural.

+ ARQUITETURA: Mirante Lagoa da Conceição - Proposta Espaço Cultural.

Mirante Lagoa da Conceição – Proposta Espaço Cultural.

Observação: Todas as palavras sublinhadas são "clicáveis" e direcionam para o tema.

Hoje mostrarei a vocês minha proposta de projeto para o mirante da Lagoa da Conceição. Foi criado um espaço cultural com alternativa de transporte urbano por teleféricos.

A ideia me ocorreu principalmente devido ao nosso momento de campanha para as eleições de prefeito e vereador.

Todos falam na criação de transportes integrados (intermodais) e da vocação turística da cidade, mas a realidade é que temos ainda um grande problema de mobilidade urbana que se agrava a cada dia e as propostas não atenderão perfeitamente as necessidades reais da cidade devido às suas características geográficas. Existem basicamente os ônibus, carros, motos e bicicletas como principais meios de transporte. O marítimo ainda é uma promessa antiga que não foi viabilizada.

Mas nenhuma das alternativas citadas poderá nos ajudar quando estamos falando em morros e encostas. Nossa cidade é repleta desta geografia, que muito embeleza, mas ao mesmo tempo cria barreiras físicas que dificultam o deslocamento e transposição.

Como um cidadão (não atleta) que mora na Lagoa da Conceição consegue ir de bicicleta ao seu trabalho no centro, por exemplo?

Pois é, não consegue, e isto é só um exemplo em meio a tantos casos de Florianópolis, onde os morros dificultam a mobilidade, gerando grandes filas e tráfego lento.

Percebam que se continuarmos a usar apenas esses meios de transporte, dificilmente solucionaremos a questão de mobilidade urbana, visto que a tendência natural é o crescimento das filas,  pois a cada dia a população aumenta e adquire novos carros.

Em relação ao morro da Lagoa, não podemos esquecer que não existem calçadas nem ciclovias (mínima infraestrutura urbana), o que aumenta o risco da população ao circular por lá.

Mas Ricardo, qual sua ideia para melhorar a mobilidade urbana da cidade?

Trazendo algo que não vimos até agora em nenhuma das propostas; o uso de teleféricos, estrategicamente distribuídos na cidade, com possibilidade de expansão, tanto para transporte do dia a dia, como para o turismo, explorando as belas paisagens da ilha da magia. Eles estariam conectados ao já existente sistema rodoviário estabelecido (ônibus) e integrados ao futuro transporte marítimo da cidade. Possibilitariam a transposição dos morros por todos; inclusive turistas e ciclistas, que poderão transportar suas bicicletas e depois seguirão seus trajetos pelo resto da cidade, em regiões mais planas.

Acredito que esta seja a real forma de termos um resultado satisfatório e menos degradante às condições ambientais da cidade.

Essa integração entre transportes (transporte intermodal) já é uma realidade consolidada em locais como Rio de Janeiro (Complexo do Alemão e Pão de Açúcar, por exemplo), Balneário Camboriú (Unipraias), Venezuela (Caracas) e Colômbia (Medellín), que se adequadamente adaptados às particularidades da Ilha de Santa Catarina, serão uma ótima alternativa.

Poderia falar do uso de teleféricos em vários pontos da cidade, mas hoje vou falar sobre o deslocamento entre Itacorubi e Lagoa da Conceição, onde propus o uso deste transporte alternativo, visto que o morro se apresenta como uma barreira/portal de transição entre estes bairros.

Para quem não sabe, há doze anos eu apresentei meu TCC na UFSC sobre este assunto, onde criei um espaço cultural no mirante da Lagoa da Conceição chamado Espaço Cultural Leste da Ilha.

A ideia de criar um espaço cultural para o mirante da Lagoa ocorreu-me devido a sua subutilização, aparência precária e nada atrativa, infraestrutura urbana quase inexistente e que destoa da linda paisagem lá oferecida. É um local apenas de passagem rápida, onde a população não pode se apropriar de fato do seu espaço, por falta de alternativas atrativas; o que sempre me gerou frustração devido ao grande potencial do local.

Situação atual:

Outro fator importante diz respeito à história e geografia da cidade.  Florianópolis no passado foi dividida em freguesias devido ao seu comprimento extenso e dificuldade de deslocamento. A cidade cresceu e “encurtou” as distâncias devido à urbanização, mas ainda percebemos várias “centralidades”, onde cada bairro é formado por uma mini cidade com infraestrutura compatível ou não com seu tamanho.

A minha ideia é criar um espaço de cultura e lazer para cada ponto estratégico da cidade: Norte, Sul, Leste e Oeste da ilha. A proposta que trago hoje é para o espaço cultural no Leste da Ilha.

O único espaço cultural de grande porte que temos em Florianópolis é o CIC (Centro Integrado de Cultura), atendendo principalmente a área central da cidade, que seria o espaço cultural do Oeste, no caso. Considero o CIC subutilizado, pois não oferece áreas externas com espaços de lazer, para que as pessoas possam se apropriar. E a meu ver, para ele se tornar um espaço cultural completo será necessário reformas.

Curiosidade: Quando fiz meu TCC, há doze anos, as pessoas ainda não se apropriavam tanto dos espaços públicos aqui na cidade, mas hoje vemos que essa cultura mudou e isso é muito benéfico para dar “vida” à cidade, onde praças, parques e orlas à beira mar estão sempre ocupadas e apropriadas pela população.

O Espaço Cultural edificado proporcionará vários belvederes, inseridos em um espaço público de lazer, em meio à linda paisagem natural. A ideia é facilitar ou propiciar o processo de aculturação, fundamental para o convívio das diferentes culturas presentes em uma mesma cidade, distrito, ou mais especificamente bairro, como é o caso da minha intervenção.

O Projeto:

Teleférico:

A proposta é que seja implantado um sistema de transporte por teleféricos (transporte de baixo impacto ambiental), possibilitando um novo acesso ao terreno do mirante da Lagoa, onde estará implantado um espaço cultural. Este sistema de teleféricos possibilitará a expansão para outras localidades da Ilha, como o Campeche (Sul da Ilha) e para as praias do Leste da Ilha, como Joaquina e Barra da Lagoa.

Fazem parte deste sistema dois edifícios garagem, que apresentam as principais centrais de teleféricos: um situado na Bacia do Itacorubí, terreno próximo à UniSociesc e o outro na Avenida Afonso Delambert Neto, intencionalmente próximo ao Terminal de Integração de ônibus. Vans sairão dos edifícios garagem, garantindo o transporte das pessoas que não queiram utilizar o teleférico, deixando os visitantes em frente ao Espaço Cultural, onde o sistema viário foi adaptado. Ônibus de turismo e carros de passeio poderão deixar as pessoas em frente ao local, sendo proibida à permanência dos mesmos.

Seis vagas para automóveis foram colocadas próximas ao ponto de ônibus, localizado em frente ao Espaço Cultural (no outro lado da rua), destinados a portadores de deficiência física e aos visitantes que estejam de passagem rápida e fora do horário comercial, como se vê constantemente no local.

Para quem optar pelo teleférico, existirá uma central destinada a recepcionar os teleféricos que fazem a conexão entre os bairros Itacorubí e a Lagoa da Conceição, localizada na subida da Rua Estrada Sertão do Assopro, próximo ao Mirante. Uma passarela de concreto armado interligará esta central ao terraço jardim e mirante do Espaço Cultural Leste da Ilha (parte mais alta da edificação).

Espaço Cultural Leste da Ilha:

O Espaço Cultural Leste da Ilha será implantado no terreno do atual mirante, onde se encontram construídos atualmente um hotel abandonado e lojas com fins turísticos. Este espaço cultural possuirá uma praça semi coberta e dois blocos: um destinado ao museu de artes e o outro receberá as demais atividades e apoios que serão falados mais abaixo.

A vista lúdica que desfrutamos do local abrange parte da Bacia da Lagoa da Conceição, englobando uma grande área da Lagoa, Avenida das Rendeiras, dunas e praia da Joaquina.

A edificação se mostra como um grande Belvedere, onde terraços/mirantes trazem o partido principal da edificação.

O estilo arquitetônico proposto para o projeto é um misto do modernismo brasileiro com a arquitetura contemporânea desconstrutivista. O principal material utilizado nas edificações e que serviu como diretriz projetual foi o concreto armado aparente com utilização de formas metálicas.

As esquadrias serão de alumínio, com seus perfis voltados para o lado de dentro e na parte externa aparecerão apenas os panos de vidro.

Os brises também serão de alumínio e foram criados nas orientações solares desfavoráveis.

Utilizou-se sistema de ventilação cruzada sempre que possível e efeito chaminé nas iluminações zenitais da edificação, facilitando a retirada do ar quente que sobe para as partes altas da edificação.

Imagens do projeto:

Vista de quem chega ao mirante, sentido Itacorubi - Lagoa da Conceição.

Entrada do Espaço Cultural e vista da praça semi coberta, com mirante.

Bloco do museu e sua cobertura servindo como praça semi coberta, com mirante.

Espaço Cultural atrás e mais ao fundo o transporte por teleféricos.

Edificação vista do nível inferior do terreno.

Vista lateral Leste, mostrando a integração da edificação à natureza.

Vista da chegada dos teleféricos à central e da passarela de ligação ao Espaço Cultural.

Ao fundo a bacia da Lagoa da Conceição.

Vista da varanda do segundo pavimento.

Programa de necessidades do Espaço Cultural:

1) Bloco de Museu de Artes (parte da praça mirante fica na sua laje de cobertura):

- Elevador hidráulico;

- Café;

- Espaço de exposições em dois níveis;

- Banheiros; 

- Depósito.

2) Praça (térreo):

- Semi coberta com marquise de concreto e pilares metálicos;

- Anfiteatro orientado para a paisagem;

- Possibilidade de exposições e feiras.

Bloco do Complexo Cultural e de Lazer:

3) Edificação (térreo):

- Balcão de informações;

- Exposição temporária de obras de arte;

- Espaço de convívio com restaurante/bar/café, mobiliário personalizado e mesas externas; 

- Banheiros.

4) Primeiro pavimento:

- Escadaria/arquibancada/escorregador com característica “lúdica” podendo ser apropriado pelas pessoas; 

- Elevadores panorâmicos;

- Entrada para o camarim/palco do auditório;

- Entrada secundária do auditório/teatro/cinema, que serve de saída de emergência;

- Nicho de convívio;

- Administração do Espaço Cultural;

- Caixas eletrônicos;

- Depósitos de equipamentos e produtos de limpeza.

5) Segundo pavimento:

- Acesso por escada de emergência, que apresenta “rasgos envidraçados” em suas paredes que enquadram a paisagem;

- Elevadores panorâmicos no lado oposto, que também fazem esta função;

- Pátio interno de convívio;

- Ateliês de arte, pintura, escultura, foto, dentre outros;

- Terraço ligado à varanda, para atividades ao ar livre;

- Auditório com 238 lugares, 6 vagas para cadeirantes, 2 camarotes contendo 4 lugares e uma cabine de projeção;

- Depósito;

- Banheiros que dão suporte aos ateliês e ao auditório.

6) Terceiro pavimento:

- Elevador panorâmico e escada de emergência;

- Livraria, espaço multimídia e biblioteca integrados;

- Terraço jardim com café, que poderá ser apropriado de várias maneiras. Mesas e bancos ao ar livre criam um espaço de apreciação à paisagem, onde a leitura de um livro e um cafezinho passado na hora completam o momento único;

- Banheiros.

7) Quarto pavimento:

- Um elevador hidráulico e uma escadaria dão acesso a este nível;

- Terraço jardim no ponto mais alto da edificação, que recepciona as pessoas trazidas pelos teleféricos. Este terraço apresenta jardins e bancos, servindo como mirante principal da edificação;

- Passarela de concreto armado coberta, contendo esteira rolante: transporta as pessoas no sentindo teleféricos - Espaço Cultural e vice versa;

- Recepção na chegada do espaço cultural, que efetua o controle da entrada.

Cortes demonstrando os pavimentos e suas respectivas plantas baixas:

 

Bom pessoal, espero que tenham curtido a proposta.

 A ideia foi criar uma edificação que se comprometa a minimizar a carência de espaços de cultura e lazer na cidade, dando uma visão alternativa para o transporte urbano.

Foi com esta contribuição que finalizei minha graduação no Curso de Arquitetura e Urbanismo, da Universidade Federal de Santa Catarina e espero agora poder contribuir diretamente com a cidade.

Caso tenham gostado, compartilhem!

Façamos chegar até a prefeitura. Hehe

Grande abraço.

 

Ricardo Cunha - Arquiteto

 

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