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Turismo e a inútil paisagem

Publicado em 17/07/2018 Editoria: Artigos Comente!


Vinicius Lummertz – Ministro do Turismo

Vinicius Lummertz – Ministro do Turismo

Todos os anos milhões e milhões de pessoas no Brasil e no mundo assistem encantadas, pela televisão, ao espetáculo da neve na Serra Catarinense. Porém, o sonho de ver a neve em SC esbarra já na saída: são poucas as ofertas das agências de turismo porque não há uma boa infraestrutura de transporte por terra e por ar, nem de hotelaria ou serviços e entretenimento que garantam o conforto e a satisfação que o turista sabe que terá, por exemplo, em Gramado (RS). E assim, todos os anos, a neve cai e derrete junto com o sonho de milhares de turistas e com a dádiva que a natureza oferece e que SC, pecaminosamente, ainda não sabe desfrutar.

Por isso, a revolução do turismo na Serra deve ser vista como prioridade. Os projetos estão prontos, existem recursos e, recentemente, foi aprovada no Congresso a federalização do Caminho da Neve, rodovia turística que liga as serras catarinense e gaúcha. Mas isso só não basta: é preciso integrar regionalmente, internacionalizar e buscar investimentos privados para o turismo.

Pode parecer um paradoxo, mas SC está recheada de bons modelos deste tipo de iniciativa, resultado de um “espírito” comunitário que promove as parcerias público-privadas (PPPs). Esse espírito se inicia em 1983/84, com a Oktoberfest, em Blumenau. Outros bons exemplos estão na foz do Itajaí, com a integração do Beto Carrero, em Penha, com o Unipraias, teleférico, navios de cruzeiro, residenciais de luxo, hotéis, marinas e eventos no circuito Balneário Camboriú/Itajaí e agora com o ingresso de Navegantes, que entra para o Livro de Recordes com o maior manto de Nossa Senhora do mundo – uma atração do turismo religioso que é alavanca de desenvolvimento na região do Vale do Tijucas, onde Santa Paulina, de Nova Trento, abençoa os catarinenses.

Poderia aqui dar mais dezenas de exemplos positivos, como o de Pomerode – também hoje no Livro dos Recordes pela Osterbaum, a maior árvore de Páscoa do planeta, em torno da qual tem produzido um espetacular projeto turístico anual – mas este artigo trata das dádivas que recebemos e não sabemos aproveitar. A maior delas é, sem dúvida, Florianópolis, uma das mais belas cidades do mundo e que está lá, estagnada por um lado e crescendo desordenadamente por outro. Nossa Capital – graças à judicialização, à criminalização dos empreendimentos turísticos, imobiliários e urbanos e à ideologização de uma minoria ruidosa – tem uma semelhança incrível com a melancólica letra da canção do mastro Tom Jobim, Inútil Paisagem.

Que você pode ouvir lembrando o exuberante e inerte cenário da Avenida Beira Mar Norte: “Mas pra que?/ Pra que tanto céu?/ Pra que tanto mar? Pra que?/ De que serve esta onda que quebra?/ E o vento da tarde? De que serve a tarde? Inútil paisagem/ Pode ser que não venhas mais/ Que não venhas nunca mais...”

 

› FONTE: Floripa News (www.floripanews.com.br)

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