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Dandara Manoela - “Espelho, denúncia e expressão!”

Publicado em 22/05/2018 Editoria: Entrevista Comente!


Dandara Manoela / Foto: Reprodução Facebook

Dandara Manoela / Foto: Reprodução Facebook

Moradora de Florianópolis há quase quatro anos, Dandara Manoela iniciou uma campanha de financiamento coletivo para lançar seu primeiro CD de forma independente no dia 12 de março deste ano. O modelo de arrecadação era tudo ou nada, ou seja, você só recebe o dinheiro se atingir ou superar a meta previamente estabelecida. Caso não chegue nesse valor, a quantia volta para os apoiadores.

Para sair do mundo das ideias, o álbum Retrato Falado precisava de 25 mil reais, após dois meses de campanha, 28.480,00 reais  foram arrecadados. No entanto, engana-se quem pensa que essa foi uma decisão tomada no impulso, Dandara relutou durante algum tempo até encarar esse sonho desafiador que, de certa forma, começou desde sua infância.

Representatividade

Poucas pessoas conseguem identificar momentos em suas vidas e dizer: Foi ali que tudo mudou. Dandara Manoela, 26 anos, é capaz de descrever com bastante precisão o momento em que a música entrou em seu coração para tornar-se um sonho.

Quando era criança, enquanto assistia a um filme, percebeu que não era diferente das pessoas que apareciam na tela da televisão e que poderia fazer o mesmo que elas. “[...] eu estava vendo sessão da tarde e passou o filme Mudança de Hábito 2, com a Whoopi Goldberg, que é a maestrina do coral de jovens… Foi ali, especificamente, que decidi que queria cantar”. No filme, a personagem Deloris Van Cartier, interpretada por Goldberg, volta ao convento no qual se escondeu no primeiro filme, para ajudar as freiras a lidar com adolescentes que além das dificuldades naturais dessa fase, sofrem com a vulnerabilidade social e o preconceito.

Nascida na cidade de Campinas, estado de São Paulo, Dandara foi criada pela tia e a avó. A música, presente em sua vida desde os seis anos de idade, também foi influência da família, que segundo ela, “sempre foi muito musical”. Começou a cantar na igreja que já frequentava, mas por volta dos 17 anos percebeu a necessidade de dar voz a novos ritmos e em diferentes lugares. “Eu entendi que outras coisas se comunicavam comigo e eu precisava me expressar a partir delas”.

Florianópolis

Dandara veio morar na Capital quando passou no vestibular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 2014. Atualmente, cursa a 6ª fase de Serviço Social. Por ser uma instituição pública e não precisar se preocupar com custos de mensalidade, achou que teria mais tempo para se dedicar à música… “Agora, vivo num grande malabarismo”, revela a jovem que ainda participa de outros dois projetos artísticos culturais na cidade. Dandara integra a Orquestra Manancial da Alvorada, onde além de sua voz explora instrumentos percussivos e é vocalista do grupo Cores de Aidê, banda de samba reggae formada apenas por mulheres.


Grupo Cores de Aidê / Foto: Ivana Chodren

Ela garante que enquanto tiver tempo e fôlego, irá se manter em todos os projetos. “Inclusive, muito recentemente lançamos um CD com a Orquestra Manancial da Alvorada e no fim do ano sai o CD do Cores, um ano muito bom nesse sentido. Mas é fato que gravar um CD de forma independente significa: gravar um CD de forma independente, (risos) e a vida segue, espero que essa etapa e esse processo rendam bons frutos, assim como nos outros projetos, onde me fortaleço e aprendo muito”.


Orquestra Manancial da Alvorada / Foto: Márcio H. Martins

“Retrato Falado é espelho, denúncia e expressão!”

A produção do CD iniciou junto à campanha. “Foi uma aposta para termos apenas uma opção: a campanha tem que dar certo”, conta Dandara. Agora, as gravações estão em processo de finalização no estúdio Pimenta do Reino, com Rafael Pfleger como produtor. O álbum terá 12 faixas, todas composições autorais, sendo três em parceria.

O ritmo caminha entre o samba, e a MPB. As letras retratam resistências, dores, amores, riso e choro. “Transporto para as composições registros das minhas vivências e observações, estendendo a música para além de entretenimento, como instrumento político de transformação, ação, munição e representatividade, que se faz força para os enfrentamentos cotidianos”, explica a cantora já no próprio texto de apresentação do financiamento.

Ela revela que a ideia do CD nasceu de um show realizado no SESC Prainha, chamado Retrato Falado. “Eu sempre quis gravar CD e já estudava formas de viabilizar a ideia, mas depois desse show, entendi que o CD já estava ali, só precisávamos materializar ele”. O incentivo decisivo veio quando Dandara ganhou o Prêmio da Música Catarinense 2017 nas categorias, melhor cantora e artista revelação com a Orquestra Manancial da Alvorada.

Como segunda artista mais votada pelo público (aproximadamente 1.000 votos), ela observou que se pelo menos 30% das pessoas que votaram, também decidissem contribuir num financiamento coletivo, o projeto seria viável. O valor arrecadado na campanha é devido à colaboração de 360 pessoas.

Sobre a identidade de sua música e o significado dela em Florianópolis, a cantora destaca algumas especificidades. Ela conta que em uma conversa com o amigo, François Muleka, que também é músico, este observou que há 10 anos, era difícil encontrar músicos negros se apresentando em teatros da Capital. “Então, acredito que em Florianópolis, especificamente, alcançar esses espaços tem sim uma força particular”. O lançamento do CD será no dia 14 de agosto, no Teatro Álvaro de Carvalho (TAC).
 

› FONTE: Floripa News (www.floripanews.com.br) - Samantha Sant'Ana

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