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IDEOLOGIA CATARINENSE Vinicius Lummertz - Presidente da Embratur

Publicado em 19/02/2018 Editoria: Artigos Comente!


Santa Catarina é um Estado sem grandes metrópoles. A maioria das cidades são pequenas e médias, compostas por imigrantes vindos da Europa no final do século 19. Gente que trabalha duro, que leva uma vida frugal e tem a modéstia como marca registrada.

É um Estado que não fala alto - mas fala sério. Não aceita tutelas nem censuras, como ultimamente algumas instituições de controle vêm tentando fazer.

Se fôssemos interpretar o que seria uma ideologia catarinense, eu diria que ela é, basicamente, conservadora nos costumes, voltada para a família e o trabalho sob uma forte herança de comunitarismo europeu. De onde deriva um alto “capital social”, na definição de Robert Putnam.

Acima de tudo, a mentalidade catarinense ainda reflete a forte herança da saga colonial. A fuga da Europa para cá tem origem na mesma motivação das famílias que foram em busca de liberdade e oportunidade nos Estados Unidos.

O modelo de ocupação do Sul do Brasil pelo Império é o mais aproximado da formação dos primeiros estados norte-americanos. Portanto, esse conservadorismo é libertário - buscava escapar dos poderes feudais e eclesiásticos. Trata-se de um conservadorismo liberal, principalmente na economia.

Na mala europeia, sobretudo, no baú das igrejas vieram alguns elementos dissonantes da visão majoritária. Estavam dentro da Igreja Católica e foram “ativados” pela encíclica Rerum Novarum, de João XXIII - na chamada opção pelos pobres. Um padrão estético fácil se olharmos pelas lentes de Bertolucci no filme Novecento.

É basicamente a esquerda do bispo Dom José Gomes, de Chapecó, berço do Movimento dos Sem-terra no Brasil - sob o paradoxo de ter origem no Estado de melhor distribuição de terras do Brasil.

A vitoriosa e marcante experiência da industrialização catarinense teve a marca do Estado com base em Florianópolis, com a criação de um modelo institucional que funcionou como plataforma para o empreendedorismo de origem colonial-conservador-liberal. 

Santa Catarina também foi berço do movimento nacional das micros e pequenas empresas, com base em Blumenau e Joinville. E hoje se projeta como a terra das startups - uma cara nova da ideologia catarinense.

A ideologia catarinense assim se desenha. Fala pouco de si. Explica-se por fatos e ações. Somos um Estado pragmático. E o que quer a ideologia catarinense? Um Estado que funcione como plataforma e que interfira pouco na economia. Rechaça tutelas e, com respeito e educação, diz não à interferência do ativismo judicial com base nos palácios de vidro de Brasília.

A ideologia catarinense quer liberdade para trabalhar, produzir e crescer - e sabe socializar os frutos do seu trabalho.

› FONTE: Floripa News (www.floripanews.com.br)

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