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A forma da água

Publicado em 25/01/2018 Editoria: Artigos Comente!


A marginalidade torna os diferentes iguais. Esse poderia ser o mote do filme &39;A forma da Água&39; (&39;The Shape of Water&39;). Temos ali, em meio à Guerra Fria, na qual EUA e Rússia preferem a destruição do mundo a uma derrota, um romance improvável e lindamente filado e interpretado.

A paixão entre uma criatura fantástica meio peixe, meio homem, uma espécie de sereia ou iara masculina, e Elisa, a faxineira muda de um laboratório experimental secreto em que a &39;fera&39; está presa. O encontro entre os diferentes possibilita uma épica fábula, onde a morte simbólica é inevitável para se ter um final feliz em uma nova dimensão. 

Os personagens de apoio desse encontro - um desenhista de anúncios publicitários homossexual com o trabalho rejeitado pela utilização cada vez mais comum da fotografia; um espião russo que deseja salvar a criatura; e uma faxineira, colega de Elisa, que começa a descobrir o empoderamento feminino - completam o quadro. 

A direção de Guillermo del Toro congrega a fantasia da situação com o drama do sofrimento dos protagonistas e o amor que pode tudo harmoniza. O ritmo acelerado, a delicadeza das imagens e a sincronicidade da trilha sonora envolvem e apontam para uma salvadora conclusão: a ficção pode não salvar, mas reconforta.         

Por Oscar D&39;Ambrosio - jornalista, mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, é Doutor em Educação, Arte e História da Cultura.

› FONTE: Floripa News (www.floripanews.com.br)

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