Floripa News
Cota??o
Florian?polis
Twitter Facebook RSS

Política e Ética. Juntas ou separadas?

Publicado em 09/11/2017 Editoria: Artigos Comente!


Sidney Guido Carlin

Sidney Guido Carlin

A política, a ética, a moral e o direito devem conviver em harmonia e andar sempre juntos na busca do bem comum. Pretensão utópica? Missão impossível? Sonho simplório?

O pensamento da grande maioria da classe política, na prática, agride, ofende, faz ouvidos moucos a todos os sábios, que, ao longo dos tempos escreveram e ensinaram o que significa ética e política na conquista da satisfação plena e da felicidade dos povos que habitaram e habitam esta terra. Os grandes pensadores da história universal, Sócrates e Aristóteles se reviram nos túmulos, ruborizados, tamanha a discrepância, a falta de harmonia, a ausência de sintonia entre o que ensinaram, na pureza do que escreveram, com a prática corrente, das “autoridades” que traçam os rumos da humanidade.

A classe política fere e despreza os mais comezinhos princípios morais, que regem os povos e uma sociedade civilizada. Afronta e subestima a inteligência do povo. Está tão distante da sociedade, parecendo habitar outro planeta ou outra galáxia, convicta de que pode tudo, na certeza de que é invisível, distante do povo que deveria representar com lisura, dignidade e transparência. Parece que nossos políticos estão convencidos de que são intocáveis e inalcançáveis, seguros que estão hermeticamente protegidos em uma redoma de aço ou em um globo inviolável e inatingível. Não se flagraram para esta nova realidade social, em tempos de operação Lava Jato, de Juízes Federais como Sérgio Moro, Marcelo da Costa Bretas e Marcelo Krás Borges, Procuradoria Geral da República, Tribunal Regional Federal da 4ª Região, vigilância popular, imprensa mais livre e atuante, população descrente e revoltada.

Não entendemos e muito menos compreendemos existir ética e patriotismo, quando assistimos conquistas de votos no Congresso Nacional com os seguintes privilégios: emendas parlamentares, que sequer deveriam existir, pois o legislativo legisla e o executivo executa, elementar assim; escandalosos refis, que perdoam débitos gigantescos; legislação que protege a escravidão laboral; renúncia fiscal de toda ordem; nomeações para cargos no executivo, verdadeiro descalabro moral que provocou a putrefação da Administração Pública em todos os seus níveis; liberação de verbas à fanfarra e sob qualquer pretexto; centenas de jantares nos palácios, com dinheiro público; trocas de Deputados na Comissão de Constituição e Justiça, colocando os mais “fiéis” ao governo e de mais fácil manipulação; demissão de nove Ministros para votarem no parlamento a favor do governo e retornarem no dia seguinte aos Ministérios.

Para a maioria dos políticos a moral varia no tempo e no espaço, de episódio para episódio, de conveniência para conveniência, de interesse para interesse, casuisticamente ao bel-prazer. Mas, para nós a moral é imutável, única, permanente, sem variações e/ou interpretações, como convém ao caso concreto. Para os pusilânimes de plantão, caso a caso, Maquiavel - os fins justificam os meios - vale tudo, menos a dignidade, menos a liturgia do cargo.

Não entendemos estes comportamentos, estas posturas, como éticas e politicamente aceitáveis. É ausência ou falta de compostura mesmo. Tratam-se de negócios, transações, mercadorias, compra e venda de consciências, se é que as possuem. Tudo pago com dinheiro público para esta “categoria” permanecer no poder, nela se eternizar para continuar nas suas práticas doentias, visando tão somente seus próprios interesses e, sempre em detrimento da população sofrida e, já, sem esperança, anomalia total. Desconhecem a sociedade, relegada por eles, a cidadãos de uma terceira classe, inexpressiva e insignificante. Nas duas votações na Câmara dos Deputados os votos não foram espontâneos, de consciência, em obediência aos ditames da ética, da moral, da política saudável, mas foram votos de vantagem de toda ordem. Esta sangria prosseguirá, em valores ilimitados, pois todos serão mantidos no poder, com as mesmas práticas, mórbidas, doentias e, até criminosas.

O filósofo Grego Diógenes, há 2 mil anos, saiu de casa durante um dia de sol, com uma lanterna nas mãos e quando perguntado, respondeu: “PROCURO UM HOMEM”. Esta citação, passados alguns milênios, se mostra muito atual, tendo em vista que a sociedade brasileira procura um HOMEM para dirigir os seus destinos a partir de janeiro de 2019. Esperamos que esta "procura" seja bem sucedida.

O Instituto dos Advogados de Santa Catarina - IASC e seus integrantes possuem liderança e são formadores de opinião, sendo assim, a melhor contribuição que poderiam oferecer à sociedade brasileira é estarem sempre vigilantes aos acontecimentos e reagirem a qualquer ato que faça com que ética e política trilhem caminhos opostos.

Por Sydnei Guido Carlin - advogado fundador do Escritório de Advocacia Carlin e Advogados Associados S/C, onde atuou por 50 anos na área trabalhista. Graduado em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina no ano de 1965 exerceu, em sua trajetória na advocacia, os seguintes cargos: Presidente do Instituto dos Advogados de Santa Catarina (IASC), Conselheiro Estadual e Federal da OAB/SC, Presidente da Comissão de Estágio e de Exame de Ordem da OAB/SC, Presidente da Associação dos Advogados Trabalhistas (ACAT) e Consultor Jurídico da Secretaria de Estado da Agricultura em Santa Catarina.

› FONTE: Floripa News (www.floripanews.com.br)

Comentários