Floripa News
Cota??o
Florian?polis
Twitter Facebook RSS
Raspas e Restos - Por Francisco Alpendre

Raspas e Restos Por Francisco Alpendre

Raspas e Restos - Por Francisco Alpendre

A Grande Reportagem

Publicado em 04/02/2014 Comente!

Foto divulgação

Foto divulgação

E daí?

Há algumas semanas dei atenção a uma chamada de capa deste periódico, que dava conta do noivado entre duas famílias famosas e oligárquicas de nosso Estado – os Ramos e os Konder. Apesar de possuir algumas preferências jornalísticas – Estadão a qualquer outro, reservo-me, até pra variar, a escolha de qual jornal lerei no domingo com base na manchete. Nesse dia, em especial, não tive tempo pra passar em alguma banca local (como se adiantasse, considerando que quase todas fecham e a oferta é sempre pífia) e acabei caindo no inevitável Diário Catarinense, com a chamada de capa.

Li a matéria, que o Diretor de Redação considerou “histórica”. Nas palavras dele, e me lembro de orelhada, “uma odisséia de repórteres por arquivos e afins que mudou a história política de Santa Catarina.

Receoso, li a matéria. Bonitinha. Dá pra saber qual a razão de quase todas as ruas importantes de Florianópolis possuírem “Ramos” em seu nome. Ou Konder. Enfim, um apanhado geral na velha oligarquia que se finge de nova. Legal, maravilha. Mas o leitor, tal qual eu me perguntei na hora, deve questionar: e daí? E daí que uma Ramos não casou com um Konder? E daí que um Konder foi estudar no Largo São Francisco?

E daí que uma família lutava com a outra pela ambição do poder politico local? Mas o pior “e daí” vem agora: de tão “histórica”, palavra concebida pelo Diretor de Redação, a reportagem duraria 5 dias seguidos. Durante cinco dias seguidos fomos apresentados aos Ramos e os Konder, em sua monumental imponência e importância no cenário político local.

Isto posto, passei a lembrar de outras “reportagens históricas”. Alguém se lembra de quando o DC anunciou uma reportagem “histórica” sobre os protagonistas do apagão que durou três dias em Florianópolis? “Depois de 10 anos, eles rompem o silêncio” – grandes depoimentos – quem entrou onde, em qual tubulação, quem ficou traumatizado, etc, de um episódio que só não seria esquecido se não fosse a ineficiência patética de nossas estatais. Ou do tal “assassinato” de João Goulart, até hoje só na base de suposições e afins.

O que me leva ao jornal de hoje. Phillip Seymour Hoffmam, um dos maiores atores de nossa geração morreu. Qual a capa do Variedades? O Menudo fake, quarentão, que mora na Lagoa, que substituía o original porto-riquenho eventualmente quando faltava por aqui.

Os jornais estão acabando. Os melhores estão se curvando à informação gratuita e à inevitabilidade da internet. Lê-se cada vez menos e pior. Uma das poucas tábuas de salvação seja a compra do Washington Post, por parte Bezos, dono da Amazon. Espera-se uma nova revolução sangrenta no mercado. Apenas assim para ele sobreviver.

Pelas abobadas reportagens catarinenses jornalísticas “históricas” atuais, isso é uma grande bênção. O jornalismo catarinense está morto. Longa vida a ele. A importância dele está tão pífia que, não tenho a menor dúvida que o leitor, quando terminar esta, dirá o óbvio:

E daí?

 

Comentários

Raspas e Restos

Por Francisco Alpendre