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Raspas e Restos - Por Francisco Alpendre

Raspas e Restos Por Francisco Alpendre

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A verdadeira Revolução Sexual

Publicado em 06/01/2014 Comente!

Foto divulgação

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Nossos pais casavam por duas razões: primeiro, na época deles, só se transava com mulheres de vida fácil, de casa de tolerância. Se houvesse sexo fora desse âmbito, a moça ficava “falada” e dificilmente arrumava um casamento fora de sua cidade. Segundo, porque homens que passavam dos 30 anos sem se casarem também ficavam “falados”. Algum problema ele tinha – o homossexualismo sendo a principal suspeita. Beijar só namorado e marido – com intenção inevitável de formar uma família.

A partir dos anos 80 e início dos anos 90 a coisa foi mudando de figura. Inicialmente os costumes começaram a mudar nas grandes metrópoles – o Rio de Janeiro, especialmente, que ditava a moda e os costumes brasileiros de então, onde transar sem compromisso passou a ser aceitável. Como a integração com Estados mais distantes do Brasil era difícil (incluindo a nossa Santa Catarina) adotava-se um costume próprio, ainda mais recatado em nossas casas. A partir dessa data o “ficar” passou a ser tolerado. Mas o ficar limitava-se a beijar. Sexo aceitável passou a ser exclusivo para namorados, que ficavam por vezes meses ou até anos até alguma coisa rolar. A moça que transcendia essa regra invariavelmente ficava também “falada”.  O medo que o sexo sem compromisso vazasse ainda era grande.

Recordo-me de como eram constantes as fofocas entre homens, na época do final de minha adolescência, pra descobrir quem era a “vadia” do pedaço. Quem tinha transado com quem e quando. Depois disso, passei um tempo no exterior, onde a sexualidade é muito menos aflorada do que parece ser e morei fora de Santa Catarina, em um local também diferente nesse aspecto: Curitiba. Retornei há quatro anos, para noivado e casamento. No meio dessa relação, terminada esse ano, pude perceber “en passant”, como a vida sexual já passava por modificações profundas, em especial no que dizia respeito à sexualidade da mulher. Mulheres com algum “passado” desfrutavam de moral intacta, o que era improvável 10 anos atrás. Nada do que eu pensava, porém, poderia me preparar para a vida sexual existente no mundo pós-divórcio.

Ao me divorciar, pude constatar que a verdadeira revolução sexual existente no Brasil ocorreu nesses anos em que fiquei casado. A mulher de fato igualou-se ao homem. Ou o ultrapassou. Ela escolhe com quem fica, com quem transa, como e quando. Aliás, ficar é coisa de pré-adolescentes: o beijo inocente, a cortesia, etc. O sexo tornou-se moeda básica, usado e abusado inconstantemente e diariamente. Ficou absolutamente normal transar no primeiro encontro. Aliás, quase obrigatório. No dia seguinte, ligações são desnecessárias. Não existe mais opressão social nesse sentido. A mulher faz o que quiser e poucos ainda falam a respeito. O único porem é fazer muito e escancarado. Pode demorar pra arrumar um namorado. Mas arruma. Se quiser. Basta fuçar.

Compromisso? Parece que elas querem menos que eles. Bebem mais, transam mais, usam inclusive mais drogas. A única escolha que o homem parece ainda ter é com quem namorar e quando casar. Aliás, casar pra que? Se nossos pais casavam para ter sexo e se o sexo é abundante: casar tornou-se uma prerrogativa exclusiva de quem deseja ter filhos. Mas, no mundo de hoje, qual a vantagem de ter filhos se a vida é desfrutada praticamente sem freios? Dinheiro? Não se iluda. A mulher pode até gostar de um homem bem colocado socialmente e isso inevitavelmente ajuda na conquista. Mas ela não troca um homem interessante, inteligente e bonito, cuja atração ela possui por um rico feio. Ela decide como e o que quer fazer, baseada nos seus desejos. Só não pode fazê-la passar vergonha perto das amigas.

Se na minha adolescência, para conhecer e “ficar” com uma garota, era preciso ir para a noite, caçá-la em lugares conhecidos, tentar tirar um telefone, ligar, sair, gastar e ainda assim correr o risco de não dar nada, hoje nem isso. Facebook, Tinder e Instagram encarregam-se de achar pares cuja atração é mútua sem trocar uma palavra. Sem nem ouvir a voz alheia. O diferencial passou a ser básico. Nunca foi tão fácil também para um homem destacar-se nesse mar de escolhas. Chego a lembrar de uma relação sexual que um “amigo” teve no qual a única voz que ele ouviu de seu par antes de consumarem um orgasmo foi o “oi, tudo bem” em seu carro. O que antes era prerrogativa de quem pagava, hoje passou a ser normal. Cada um sabe exatamente o que quer, quando quer e é absolutamente livre pra exercer suas escolhas.

Aos amantes da nostalgia, que irão falar que “a coisa nunca esteve tão feia”, que “a mulherada está fogo”, vocês vão me desculpar. Lamento. Bem vindos à nova revolução sexual. E ela é maravilhosa.

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