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Raspas e Restos - Por Francisco Alpendre

Raspas e Restos Por Francisco Alpendre

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A Homeland do Networking é aqui

Publicado em 22/11/2013 Comente!

Presidente Dilma Roussef e o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Foto: web

Presidente Dilma Roussef e o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Foto: web

Algum grande e revolucionário administrador americano, de alguma faculdade do meio-oeste daquele país, criou o termo "networking". Uma rápida passagem no Google da vida tornaria o início desse artigo mais rico, desvendando o autor - todavia, isso não se faz necessário já que qualquer termo inovador no ramo da administração e relações pessoais, que vendeu um zilhão de livros e não quer dizer absolutamente nada foi criado por um professor de administração de alguma faculdade do meio-oeste americano, hoje com setenta anos e cabelos raros, que fatura R$ 100 mil por hora em animadas palestras nos eventos anuais da HSM.

Pra você que ficou em uma caverna pelos últimos 15 anos ou numa estação espacial internacional, explico: networking, segundo o Webster dos tempos pós-modernos,quer dizer uma rede de contatos destinada a gerar frutos comerciais e profissionais. O vulgo "relacionamento", tão bem cultivado por quem sabe gerar dinheiro do nada.

Pois bem, lamento informar mas, pelo visto, mais uma vez, fomos roubados. Não roubados que nem no caso da invenção do avião, que sabidamente não foi obra de Santos Dumont e só nós aprendemos nos livros de história que foi assim. Não, dessa vez os brasileiros foram sabidamente roubados: quem inventou o networking e o aperfeiçoa a cada dia somos nós, em nossa pátria, nossa Homeland.

Sérgio Buarque de Holanda dizia que a forma de fazer negócios em Portugal foi transplantada diretamente à sua colônia. Contratos eram fechados com base em quem era amigo de quem e não na objetividade do negócio em si. Ora, em nosso tempo de República, isso não muda muito - nas maiores empresas do ramo nacionais, nos locais mais profissionais, não vejo muito business plan apresentado sem um senhor pistolão ou sem um intermediário que o apresenta.

O que nos traz, com 4 parágrafos de rodeio, ao ponto central desse texto: a questão das prisões da Ação Penal 470, o chamado "mensalão". Não irei discorrer cansativamente sobre o caso mais falado da história do sistema judicial e não judicial de nossa república. Não, caros leitores. Não irei tratar de "ponto fora da curva", "presos políticos", "embargos infringentes", "Carta Capital x Veja" e outras questões menores (ou maiores, dependendo de quem paga seus salários) que povoaram nosso noticiário nos últimos.. 2 anos, vai - desde que começou o julgamento de fato (em 2006 ninguém nem mais lembrava que mensalão existia - vide a vitória de Lula). 

Tratarei de dois pronunciamentos da mais alta cúpula de nosso Estado que me trazem pavor e tristeza, pela naturalidade com que são emitidos e pela falta de contestação com que são recebidos - da mais alta mídia ao mais baixo boteco de bar. Refiro-me às opiniões da nossa limitada Presidente Dilma Roussef e do nosso aclamado doutrinador e professor de Direito, o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. A primeira dá uma entrevista na rádio CBN afirmando que é um absurdo o José Genoíno ficar preso, considerando seu atual estado de saúde. Reitera que está dando a opinião em caráter pessoal (como se fosse possível existir personalismo no cargo em que ocupa) porque foi presa política com a mulher do preso atual e conhece o cidadão desde os tempos em que ambos procuravam implantar uma ditadura de esquerda no Brasil, substituindo a de "direita" que estava ali.

O segundo pronunciamento, de nosso douto Ministro (cujo maior feito no cargo que ocupa, dizem as más línguas, foi namorar a Manuela D´Ávila depois que emagreceu) dava conta que é um verdadeiro absurdo os presos serem recolhidos ao regime fechado quando o acórdão de condenação dava direito a eles todos ficarem no semi-aberto.

Reitero que, em se tratando de Brasil, salvo raríssimas exceções, sou contra a prisão da forma como ela existe - vingança pura e medieval, como bem disse numa outra pérola o Ministro Cardozo. O que mais chama a atenção nesse fato é que o Ministro de Estado e a Chefe do Executivo Federal jamais vieram a público para defender os milhares de presos que ficam em regime fechado quando deveriam estar soltos, por já terem a pena cumprida e não possuírem sequer um advogado constituído para declarar isso ao juiz da causa. Que possuem problemas de saúde insuperáveis e apodrecem com doenças pré-medievais como tuberculose, tifo ou moderníssimas como AIDS e cardiopatia grave nas fétidas penitenciárias locais. Aos pobres coitados, cujos furtos ao Erário foram infinitamente menores do que os que estes cidadãos foram condenados mas que não possuem clemência, conversa ao pé do ouvido, comoção de seus pares que ocupam os mais altos cargos da República.

Aos infelizes que chegam a uma audiência que definirá a sua vida num júri popular e que, por falta de advogado, nesse mesmo exato momento o juiz constitui um qualquer da plateia, que não tem nem ideia do que se trata o processo e estava ali só de passagem (isso não é brincadeira - presenciei o fato no júri de São Francisco do Sul/SC).

Pra esse bando, essa plebe, essa patuleia, essa choldra, faltou o bom e velho networking, mais um orgulho nacional que os americanos se apoderaram (e faturam zilhões). Esses não merecem declaração da "Presidenta" ou do Professor José Eduardo. Bem feito. Ninguém mandou não lerem um capítulo de Kotler.

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