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A Vida é Crônica - Por Luiza Kons e Samantha Sant'Ana

A Vida é Crônica Por Luiza Kons e Samantha Sant'Ana

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Torcida de ônibus

Publicado em 22/07/2018 Comente!

Samantha Sant'Ana e Luiza Kons

Samantha Sant'Ana e Luiza Kons

O fluxo de passageiros aumenta no tubo de ônibus da estação Jardim Botânico, em Curitiba. Falta menos de uma hora para a partida entre Brasil e Bélgica. O cobrador, em seu uniforme cinza e preto, aponta para o celular - é por ali que vai saber se continuaremos rumo ao hexa ou se é tchau e bença.

Mas ele conta que justo na hora da partida vão surgir aposentados com suas sacolas em punho para jogar o próprio jogo "eles vão me perguntar se o Mercado Municipal está aberto. Eu vou dizer que não, que fecha durante os jogos do Brasil. Depois, eles vão reclamar que o ônibus está demorando. Eu vou dizer que é assim durante o jogo. Eles vão reclamar com a máxima &39;é por isso que este país está desse jeito&39;’’.

Por sorte, para quem não pendurou as chuteiras, não tarda muito, e o imponente expresso vermelho rapidamente desagua na praça Ruy Barbosa. É um corre-corre apressado de camisas verde-amarelas, em contraste a tantas outras que não fazem apologia ao futebol. O tempo passa como juiz implacável, e a fila do ônibus amarelo Fazendinha cresce. Faltam menos de 30 minutos quando finalmente o amarelão dá a partida.

O povo todo se amontoa dentro do veículo em um dia ensolarado quente, nessa ironia do inverno curitibano. O veículo não progride em campo, e a essa altura o sorriso de Firmino já se reflete pelas câmeras do estádio na Arena Kazan. Uma mulher, que está de pé, pega o celular e assiste a partida, os pescoços se esticam para acompanhar de maneira improvisada cada detalhe. Na diagonal dela, está uma moça sentada assistindo uma série qualquer, sem colaborar com outros pescoços à espera de uma chance.

Para o infortúnio, a mulher desce cedo demais. O silêncio nas ruas e dentro do amarelão se torna ensurdecedor, pela janela se nota uma aposentada com a sacola nas mãos. Depois, a torcida descompassada, enlatada e atrasada veria que o placar ficou: entalado em 2x1 para os belgas, nessas quartas de final. E não será dessa vez que Thiago Silva ou outro, imitará Bellini.

 

Por Luiza Kons

 

 

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