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Bondeconomia - Por Fernando Bond

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AS PERSPECTIVAS QUE O TURISMO CÍVICO PODE TRAZER AO BRASIL E SC

Publicado em 30/04/2018 Comente!

Fotos: Fernando Bond / Maiori TV / Roberto Castro

Fotos: Fernando Bond / Maiori TV / Roberto Castro

Os países que fazem do turismo uma das alavancas para o seu desenvolvimento sustentável têm muito a ensinar a Santa Catarina e ao Brasil sobre como poderemos seguir pelo mesmo caminho. No mesmo dia, 25 de abril, na Itália, na Nova Zelândia e Austrália, os cidadãos vão às ruas para reverenciar os soldados que lutaram por nós nas mais diferentes batalhas travadas pelas nações e, principalmente, lembrar que continuamos a lutar pela Paz.

Em Auckland, na Nova Zelândia, pude acompanhar os preparativos que se realizam nos exuberantes jardins em frente ao War Memorial Museum (Museu da Guerra), onde são ‘plantadas’ centenas de cruzes (foto acima) com os nomes dos combatentes que lutaram na batalha de Gallipoli, na Turquia, em que dezenas de milhares de soldados do Anzac (Forças Armadas dos dois países) e Reino Unido perderam suas vidas na 1ª Guerra Mundial.

Ao mesmo tempo em que cidadãos saem de casa às 4 da madrugada para acompanhar as solenidades ao alvorecer, milhares e milhares de turistas de todo o mundo acorrem para os eventos que acontecem em todas as cidades e bairros, por menores que sejam. O clima é de grande emoção, com a presença das maiores autoridades dos dois países e do povo, como se repetiu neste ano em frente ao museu de Auckland (foto abaixo - cortesia da Maori TV).

O mesmo clima de emoção deu o tom às solenidades que marcaram o festival Tra Amici, que o Ministério do Turismo, a Embratur, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Ministério da Defesa e das Relações Exteriores promoveram na Itália para comemorar o Dia da Libertação, em que os italianos homenageiam os soldados brasileiros que lutaram na 2ª Guerra Mundial.  Um projeto que foi acalentado pelo catarinense Vinicius Lummertz quando era ainda presidente da Embratur. Durante duas semanas o festival levou a Roma e cidades do norte daquele país eventos culturais e gastronômicos brasileiros, bem como oportunidades de negócios para investidores, tanto no turismo quanto em outras áreas. Foram realizadas apresentações da camerata da Orquestra do Teatro Nacional de Brasília, tanto em Roma quanto nas cidades de Pistoia e Porretta Terme, onde há solenidades em homenagem aos nossos pracinhas. Uma missa na catedral de Pistoia também integrou a programação, bem como uma cerimônia no monumento aos soldados brasileiros, na mesma cidade.

Em Porretta Terme, onde se concentrava o comando das operações brasileiras durante a guerra, o agora ministro do Turismo Vinicius Lummertz participou da inauguração do busto do general Mascarenhas de Morais, comandante das tropas brasileiras (foto abaixo). “Não pude deixar de projetar o quanto o turismo cívico pode contribuir para o setor no nosso país e no nosso estado – além, é claro, de todos os aspectos positivos no que que se refere à educação, história e patriotismo”, disse o ministro à coluna.

Na mesma semana, tive oportunidade de conhecer e aprender muito na indescritível e cinematográfica região de Bay of Islands (Baía das Ilhas) na região norte da Nova Zelândia – onde o turismo de praias ganha mais força ainda com a presença marcante do turismo cívico. Essa área tornou-se o centro da história em 6 de fevereiro de 1840, com a assinatura do tratado de Waitangi, em frente à casa do representante da Coroa Britânica, James Busby (1800-1871). O tratado foi a primeira tentativa de acordo oficial entre os colonizadores ingleses e os nativos maoris, que perderam suas terras.

Hoje toda essa área foi transformada num grande parque de turismo cívico, com um Centro de Turistas de onde saem visitas guiadas para as trilhas em meio à natureza, às canoas de guerra maoris, aos jardins e à casa de Busby e à casa de culto Maori, onde ocorrem espetáculos de música e dança nativa. É preciso dizer que, assim como o litoral catarinense, a região norte da Nova Zelândia abriga algumas das praias, baías e promontórios mais lindos do planeta (foto abaixo - pôr do sol em Ahipara) e que, assim como o Brasil – por estar no hemisfério Sul – os neozelandeses têm o Verão entre dezembro e março, quando tudo nessa região fica lotado. Mas nem por isso os hotéis deixam de ter reservas esgotadas o ano inteiro – e as atrações e o calendário de eventos do turismo cívico contribuem sobremaneira para isso. Por que não fazemos o mesmo aqui?

NAÇÃO MAORI

Turismo cívico na Nova Zelândia não é significado de comemoração dos colonizadores europeus – é, principalmente, significado da luta que os nativos maoris travam ainda nos dias de hoje pelos direitos à terra e propriedades que lhes foram tomadas pelos britânicos. Apesar das diferenças, os maoris têm sido vencedores desta luta e estão recebendo de volta – certamente não com a mesma rapidez que gostariam – aquilo que um dia foi deles neste país que é 31 vezes menor do que o Brasil, mas que tem um litoral de 16 mil quilômetros, o dobro do nosso.

No Anzac Day os maoris participam ativamente de todas as solenidades pelo país – afinal, seus antepassados também lutaram, morreram e se feririam nas batalhas travadas pelos exércitos conjuntos da Austrália e da Nova Zelândia. Mas toda a emoção da memória, da tradição e dos cultos dos maioris podem ser sentidos com mais força na região de Waitangi e em todo o norte do país, onde as cidades têm nomes e referências na língua nativa, como no resto do país. A cultura maori permeia tudo o que acontece e impressiona mais ainda quando se veem as danças nativas (foto acima) na Casa de Culto Maori (foto abaixo), inaugurada em 6 de fevereiro de 1940 para celebrar o centenário do tratado que tentou pôr fim aos conflitos entre britânicos e nativos.

Em 1975, foi editada a Lei do Tratado de Waitangi, que até hoje considera reivindicações de terra. Outro fato importante diz respeito às mulheres maoris, que também foram signatárias do Tratado porque eram chefes de tribos. A influência delas foi tal que a Nova Zelândia tem orgulho de ser a primeira nação do planeta a assegurar o voto feminino em 1893.  A Nova Zelândia é muita parecida com o Brasil e SC em muitos aspectos – e não é só o Cruzeiro do Sul no céu e na bandeira e a natureza exuberante. Os turistas acompanham o comportamento amigável e acolhedor dos neozelandeses, que têm um ótimo padrão de vida e moram em pequenas e médias cidades que ainda não sofrem com congestionamentos nem com a falta de segurança. Todos têm fácil acesso a um estupendo meio ambiente e fazem das atividades junto ao mar, às montanhas, lagoas e vulcões um estilo de vida – em que o turismo é peça fundamental. 

 

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