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Bondeconomia - Por Fernando Bond

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O SUCESSO DE UM PAÍS QUE TEM RESPEITO POR SUA EXCELÊNCIA, O MAR

Publicado em 25/04/2018 Comente!

Porto Auckland / Fotos: Fernando Bond

Porto Auckland / Fotos: Fernando Bond

Estou em Auckland, Nova Zelândia, para visitar a família e fazer uma visita técnica à Maori TV, emissora onde meu filho trabalha, pertencente aos nativos deste país e que acaba de inaugurar uma nova sede. Auckland é conhecida no mundo todo como “City of Sails” (Cidade das Velas), por ter o maior número de embarcações per capita do planeta entre seus 1,7 milhão de habitantes. Foi daqui que saíram os veleiros da Volvo Race para Itajaí, na sétima e mais difícil etapa da competição.

Auckland é uma das mais representativas traduções de um país que está voltado para o mar e para o turismo – afinal, se localiza em duas grandes ilhas, com mais de 16 mil quilômetros de litoral, ou seja, o dobro da orla brasileira, apesar de ser muito menor em território – cabem “31 novas zelândias” num Brasil. Olhando do deck a 220 metros de altura da Sky Tower para a baía de Waitemata você vê na (foto à direita) o porto com seus grandes navios de carga, a estação de ferryboats que liga o centro aos bairros mais distantes com grande conforto e qualidade e os altos prédios do setor financeiro.

Na (foto abaixo), está a Ponte de Auckland (mais ao fundo) e em primeiro plano a espetacular Westhaven Marina, uma das maiores do Hemisfério Sul, para mais de 2 mil barcos, e ainda Viaduct Basin, um complexo de turístico e portuário, onde milhares de turistas, restaurantes, pubs, jardins, mercados, um espetacular centro de eventos, se misturam aos trabalhadores das empresas da área portuária no seu dia a dia.

O que me impressiona mais é que Viaduct Basin tem hoje mais de um milhão de metros quadrados  – bem mais do que tinha em 2011, quando subi a Sky Tower pela última vez. E as obras não param: há guindastes por toda a área central (à direita, abaixo). No entanto, a Economia do Mar está presente por toda a cidade – e por todo o país. Vou dar como exemplo a Half Moon Bay (Baía da Meia Lua), na região leste de Auckland, onde existe uma esplêndida marina para quase 600 barcos (a mesma capacidade que se projeta para a Beira Mar Norte, em Florianópolis). Apesar de não ser badalada, essa marina (foto abaixo) tem um grande centro náutico – com empresas e serviços – restaurantes, bares e uma Iate Clube. Dalí saem ferryboats utilizados pela população para diversos pontos da cidade – mas milhares de turistas se aproveitam do conforto e dos baixos preços das passagens para fazer passeios simplesmente incríveis.

De tudo isso, dois pontos dois pontos a destacar: Auckland e a Nova Zelândia são um modelo de Economia do Mar a ser seguido. Toda a produção de alimentos, vinhos, roupas e outros produtos do interior da Nova Zelândia são consumidos tanto pela população local como pelos turistas – e parte é exportado. Isso gera empregos, renda e impostos por todo o país, revertidos em investimentos em escolas públicas de alto nível, saúde de qualidade e segurança incomparável.

O outro ponto a destacar é a internacionalização da Nova Zelândia – algo que o ministro do Turismo, Vinicius Lummertz, vem incansavelmente pregando para o Brasil e para SC. E é preciso atrair os chineses. A maior parte dos investimentos que estão sendo feitos em Auckland, por exemplo, vem da China. Há chineses imigrantes e turistas por toda a parte – 80% da lotação dos ônibus e trens, por exemplo. Eles enfrentam uma razoável resistência por parte da população local – constituída pelos descendentes dos colonizadores britânicos e os nativos maoris. Uma resistência que, com o passar das gerações, certamente será vencida, porque brancos, maoris e chineses vão se misturar, transformando-se num só povo. É por isso que digo ao meu filho Fernando e minha nora Tammy que é perda de tempo eles implicarem com os chineses. Dentro de 15 ou 20 anos minha neta Flora Maria, hoje com apenas 2 anos, poderá estar namorando ou até casada com um chinês de terceira geração. É assim, desde que o mundo é mundo.

OLHO NO CHILE

Não tinha pensado em escrever sobre o Chile nesta viagem, mas é impossível deixar de registrar como eles souberam fazer a economia crescer, oferecer educação (apesar dos justos protestos dos professores neste momento), saúde de qualidade, segurança relativa (é o máximo que podemos desejar hoje na América Latina) e, principalmente, fazer com que autoestima dos chilenos esteja sempre estável. Este é o resultado de uma fórmula simples: os chilenos não foram contaminados pelo ‘bolivarianismo chavista’, e assim não sofrem neste momento as consequências das irresponsabilidades – para dizer o mínimo – cometidas no Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela.

Mas o que nos interessa – de Jaraguá do Sul a São Miguel do Oeste – é o exemplo que o Chile e sua capital, Santiago, podem nos oferecer. Há pobreza na periferia? Sim, há como há em grandes capitais e cidades de todo o mundo, mas não ocorre o descontrole social que hoje aterroriza o Rio e São Paulo e invade Florianópolis e Joinville, por exemplo. O que os faz diferentes? A educação, por exemplo. Se você caminhar por apenas três quadras do Paseo Huerfanos, no centro de Santiago, encontrará o triplo de livrarias que existem em Florianópolis. Cheias, movimentadas, esbanjando cultura. O mesmo pode-se dizer quanto ao investimento em turismo.

Os chilenos estão investindo muito forte na atração de estrangeiros. E encantam a gente com dezenas e dezenas de atrações com os museus, parques e centros gastronômicos como os do bairro Lastarría (foto acima), por exemplo. Por lá vi uma exposição chamada ‘Pescador’, uma homenagem aos homens que vivem do mar. Um grande peixe de vime (foto abaixo) recebe os visitantes pendurado no hall do Centro Gabriela Mistral, a famoso GAM. E você olha pro peixe e fica pensando: por que não fazemos igual em Santa Catarina?

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