Floripa News
Cota??o
Florian?polis
Twitter Facebook RSS
Bondeconomia - Por Fernando Bond

Bondeconomia Por Fernando Bond

Bondeconomia - Por Fernando Bond

NEGÓCIOS DA CHINA AO ALCANCE DAS EMPRESAS DE SC

Publicado em 20/11/2017 Comente!

FOTO HENRY QUARESMA NA CHINA CRÉDITO: DIVULGAÇÃO

FOTO HENRY QUARESMA NA CHINA CRÉDITO: DIVULGAÇÃO

Desde o começo do século milhares de empresários, técnicos, professores, estudantes e trabalhadores brasileiros tomaram o caminho da China, o fenômeno mundial que saiu de uma situação miserável há poucas décadas para o patamar de uma das maiores economias do planeta. Entre os ‘pioneiros’ dessa aventura asiática está o catarinense Henry Quaresma, hoje autor de dois livros sobre o país e um dos maiores especialistas brasileiros nos caminhos do ‘negócio da China’. Nesses 17 anos, a China mudou muito: plantou, fabricou e exportou tudo o que podia em produtos de baixo valor agregado, feito então com mão de obra barata – e que ainda assim poupava metade do que ganhava. Cresceu quase 10% ano por décadas e acumulou trilhões de dólares. Nos últimos anos, o presidente agora reconduzido ao poder pelo Partido Comunista, Xi Jinping, mudou a estratégia: incentivou o consumo interno para tirar a poupança debaixo do colchão de 1,3 bilhão de chineses, investiu em obras de infraestrutura faraônicas, moradia e meio ambiente, e incentivou que as empresas chinesas saíssem às compras pelo mundo. “No Brasil, eles investiram 171 bilhões de dólares em 247 projetos entre 2003 e 2017”, diz Quaresma (foto, na Muralha da China). Ex-diretor da Federação das Indústrias (Fiesc), atual CEO da Brasil Business Partners, sócio-diretor da TSL Energy e membro da Câmara de Comércio Exterior da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Henry Quaresma concedeu esta entrevista há alguns dias, logo depois do retorno da última viagem à China.                                                             

Apesar de todas as fronteiras que já foram abertas, para boa parte dos empresários catarinenses a China ainda é um mistério. É muito difícil abrir negócios com os chineses?                                                                 

Henry Quaresma - As relações de negócios estão mais facilitadas em todos os sentidos. Com relação à comunicação, o inglês é cada vez mais utilizado nas negociações, facilitando os contatos. No entanto, o processo de negociação tem uma abrangência maior, com fatores culturais que devem ser respeitados. Um dos mais importantes é o ‘guanxi’, que representa o capital social que um indivíduo tem em seu grupo social (parentes e emprego), ou seja, respeito ao valor do ‘networking’. Com o crescimento da economia doméstica na China e a preferência por produtos importados, abre-se uma excelente oportunidade de exportamos os mais diversos produtos. Por outro lado, as parcerias estão crescendo muito, inclusive na área de produtos de alta tecnologia.

Médios e pequenos empresários também têm oportunidades de fazer negócios com a China?                                                                                                                                                   

Henry - Perfeitamente.  Os negócios podem ser feitos em diversas modalidades, desde a importação, exportação, licenciamento, representação e investimentos (participações societárias), entre outras. O nicho de negócios por pequenos empresários está crescendo, principalmente por intermédio do comércio eletrônico. Pequenos empresários catarinenses já exportam para a China, inclusive produtos com alto teor tecnológico.

Para quem ainda não conhece o ambiente empresarial chinês, vale a pena participar de missões àquele país?                                                                                                                

Henry - Duas recomendações para começar a entender os negócios com a China: a primeira seria ler o livro O Fator China e o Novo Normal, editado pela Edições Aduaneiras.  A segunda, programar uma visita à Feira multisetorial Canton Fair, em Guangzhou, que ocorre em dois momentos ao ano com três fases de produtos (http://www.cantonfair.org.cn/en/index.aspx). A visita à feira permite conhecer o que está sendo produzido e vendido na China, além de possibilitar conhecer tendências de mercado e preços. Portanto, as missões e feiras são fundamentais, um momento ímpar de absorção de conhecimento estratégico e comercial.

Como pode o país "mais comunista do mundo" ser também o "mais capitalista"? Como funciona este modelo e no que isso influencia para quem quer fazer negócios com a China?                                                                                                                                      

Henry - A China tornou-se a segunda maior economia mundial com a riqueza conquistada por meio de um modelo de desenvolvimento que combina variáveis do mundo capitalista, incorporando tecnologias, atraindo capital e criando um setor produtivo altamente competitivo, com características de planejamento central e ditadura de partido único que conduz o processo socioeconômico do país. Há poucas décadas, a economia chinesa era do mesmo tamanho da brasileira, hoje é quase cinco vezes maior. O país obteve por décadas taxas de crescimento do PIB acima de 10% ao ano, o que permitiu a inclusão de uma população do tamanho da norte-americana no mercado de consumo. A combinação das duas situações proporciona um grande controle e um grande incentivo ao crescimento econômico. Temos um quadro com uma população de 1,3 bilhão de habitantes, alto índice de segurança, inclusive com câmeras de vigilância pública com reconhecimento facial.  As taxas de crescimento anual atuais giram em torno de 7%, com planejamento quinquenal. Portanto, há um importante ambiente favorável aos negócios, com mercado consumidor gigantesco, conectado de forma absurda ao comércio eletrônico por smartphones.

Quais são os principais setores em que é possível fazer negócios com os chineses?

Henry - Não há nada específico porque o mercado e as possibilidades são muitas. Mas podemos dar alguns exemplos: exportar matérias primas de origem vegetal e mineral, produtos de consumo (alimentos, moda, produtos de tecnologia), peças e equipamentos, realizar parcerias e associações, importar produtos, e troca de investimentos Brasil-China. Hoje temos como grande destaque as aquisições chinesas – principalmente nos setores automotivo e de energia - no Brasil, que totalizaram 117,1 bilhões de dólares em 247 projetos entre 2003 e 2017.

Você conhece profundamente a China, viaja para lá há muitos anos, várias vezes por ano. O que mudou e evoluiu desde o início do século? Por que a China já não cresce mais no mesmo ritmo de 5 ou 10 anos atrás?                                                                             

Henry - O Governo de Xi Jinping incentiva a economia interna e o empreendedorismo, além de atrair investimentos. Por trás de todos esses movimentos está a continuidade da busca do “sonho chinês”, que se traduz por maior acesso ao consumo e melhor qualidade de vida para a população. É nesse contexto que o crescimento do mercado interno marcará a nova fase do processo de desenvolvimento chinês. Em lugar da poupança que permitiu a expansão do investimento e sustentou o crescimento até então, a ordem agora é estimular o consumo da população. Portanto, atualmente o crescimento é mais sustentando, com metas definidas.  

 

FRASES PARA “ASPAS”

“O nicho de negócios por pequenos empresários está crescendo, principalmente pelo comércio eletrônico. Pequenos empresários catarinenses já exportam para a China, inclusive produtos com alto teor tecnológico” 

“Há um importante ambiente favorável aos negócios, com mercado consumidor gigantesco, conectado de forma absurda ao comércio eletrônico por smartphones” 

 

 

 

 

Comentários

Bondeconomia

Por Fernando Bond

Agenda

+ eventos