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Bondeconomia - Por Fernando Bond

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“O DESENVOLVIMENTO É MORAL” ENTREVISTA - VINICIUS LUMMERTZ

Publicado em 06/11/2017 Comente!

FOTO: VINICIUS LUMMERTZ NAVIO – ENTREVISTA

FOTO: VINICIUS LUMMERTZ NAVIO – ENTREVISTA

“O DESENVOLVIMENTO É MORAL”

Logo depois de retornar da Feira Internacional de Turismo (FIT), na Argentina, e pouco antes de embarcar para Londres, onde participa esta semana da World Travel Market, uma das feiras internacionais mais importantes para a indústria turística, o presidente da Embratur, o catarinense Vinicius Lummertz (foto) concedeu entrevista à coluna para falar sobre o momento crucial que vive o setor no país e em SC. “O Brasil tem o maior potencial turístico do mundo, mas ainda não acordou para isso”, diz Lummertz, que aguarda com expectativa a votação na Câmara dos Deputados dos projetos da Lei Geral do Turismo (com 118 mudanças no setor), a abertura do mercado para participação de capital estrangeiro nas empresas aéreas e, especialmente, a transformação da Embratur de autarquia em agência, para que ela tenha mais mobilidade e competitividade internacional. Sobre os resultados do FIT, em Buenos Aires, o catarinense acredita que o câmbio favorável, o aumento das frequências de voos diretos, a alta procura por reservas em hotéis e pacotes turísticos e ações pontuais, como a campanha publicitária "O Sul é meu destino", “fazem projetar um crescimento de 20% na chegada de visitantes do país vizinho que, se confirmado, será o maior fluxo desde 2014”, diz Lummertz. Outro fator importante para acreditar que a temporada será excepcional é a confirmação do roteiro de navios de cruzeiro, como o MSC Presioza que o presidente da Embratur visitou na escala inaugural em abril, em Balneário Camboriú – a cidade prevê faturar R$ 40 milhões com este tipo de turismo de novembro a abril. Nas andanças que tem feito pelo país e pelo exterior, divulgando a importância do turismo e “vendendo” a imagem do Brasil, Vinicius Lummertz tem combatido com veemência os entraves – burocráticos, ambientais e ideológicos - ao desenvolvimento sustentável, que têm atrasado não só o turismo, mas o país e SC como um todo. Ele aborda o tema nesta entrevista. 

Qual é a premissa desse discurso sobre o desenvolvimento?   

Vinicius Lummertz
– A premissa é de que o desenvolvimento econômico é acima de tudo uma questão moral. Não é usual pensar-se assim no Brasil. Aqui a associação é com seu inverso. As questões do desenvolvimento são normalmente associadas às questões materiais e por isso a correlação que se faz é do material com o impuro. A complexa história de um país explorado, inclusive pela escravidão, deixou muitas cicatrizes. A herança em relação à palavra desenvolvimento é muitas vezes de desconfiança, justamente o oposto da premissa sobre a qual se assenta o próprio desenvolvimento.

E o desenvolvimento sustentável, o que é?         

Vinicius - Há várias definições de "desenvolvimento", mas fiquemos com a de Ignacy Sachs, um dos pais do termo "desenvolvimento sustentável", em 1982. E esta eu ouvi da boca do próprio professor: "É quando o crescimento econômico vem acompanhado de diminuição da pobreza e do desemprego". Simples assim. “E o sustentável?", perguntei. "Se não for sustentável é porque não é desenvolvimento", respondeu Sachs.

Como seria isso na prática?    

 Vinicius – Bem, podemos fazer a singela comparação de um pai empregado e outro desempregado. O primeiro, João, está empregado porque houve uma empresa que pode fazê-lo. Porque conseguiu as licenças, crédito, apoio, impostos equânimes, capacitou seus colaboradores, geriu riscos, lucrou e cresceu. O desempregado, José, sem empresa para trabalhar, cedeu à bebida e à violência domestica. E sabe-se que 80% dos assassinatos no país são perpetrados por filhos do desespero e da violência doméstica. Vislumbra-se nesta comparação o argumento da consequência moral do desenvolvimento econômico por um simples emprego. Empregos geram outros empregos, impostos, investimentos em círculos do bem.

A gente assiste isso em Santa Catarina, não é mesmo?                                                           

Vinicius - Nenhum lugar do Brasil, nenhum, conta melhor esta história. Estado das Herings, Dohlers, Marisois e Duas Rodas. De Tupys, Consuls e Wegs, Sadias, Auroras e Perdigões. Metropolitanas, Cecrisas ou Coans. Hoje, Softplans ou Paradigmas. Líderes de polos que tiraram nosso Estado da pobreza de 70 anos atrás. Mas SC precisa continuar a se desenvolver. Para que tenhamos mais pais e mães altivos que possam melhor educar e projetar seus filhos. Porém, hoje todos sabemos, desde o governador Colombo, e todos os candidatos a governador nas eleições de 2018 sabem; a imprensa, os empresários e os trabalhadores sabem: Santa Catarina tem mais de R$ 100 bilhões retidos e atrasados pelas questões burocráticas e de insegurança jurídica.

Como mudar esse quadro de injustiça e paralisia?                                                                        

Vinicius - Recorro novamente ao professor Ignacy para a última aula que diz sobre o modelo escandinavo: é o desenvolvimento negociado, com cartas na mesa e intenções genuínas e transparentes para encontrar as melhores alternativas possíveis para se andar para frente. Por maiores que sejam os ressentimentos ainda existentes em nosso país, é chegada a hora de sairmos dos conservadorismos de esquerda e de direita, que pensam de forma exclusivista.  

FOTO: VINICIUS LUMMERTZ NAVIO – ENTREVISTA

CRÉDITO: FERNANDO BOND

 

RETRATOS                                                                                                                                                   

O governador Raimundo Colombo já olha a crise econômica pelo retrovisor, especialmente depois do aumento da arrecadação. Mas o retrato é diferente em outras partes do país: cerca de 1,5 milhão de servidores estaduais correm o risco de não receber o 13º salário até o fim do ano. Em situação fiscal delicada, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Minas Gerais já enfrentam dificuldades todo mês para fechar a folha de pagamento e os funcionários devem penar para receber o salário extra.

SER VERDE                                                                                                                                                     

 A catarinense Malwee é destaque na imprensa nacional por ser uma pioneiras do setor de confecções a produzir roupas de maneira sustentável – 17% dos brasileiros já têm preferência por esse tipo de produto. Há seis anos a Malwee produz roupas com fios desfibrados de tecidos descartados e tecelados novamente. Foram colocadas no mercado 400 mil peças desse tipo nesse período. A empresa tem tentado outras alternativas sustentáveis, como a fibra da bananeira. Mas não deu certo. “O tecido não  tinha um toque macio e, como as vendas não eram expressivas, o modelo não se viabilizou”, conta Taise Beduschi, gestora de sustentabilidade do grupo Malwee.  

SHOPROMO                                                                                                                                         

 Imagine poder encontrar promoções únicas dos seis shoppings da rede em um só aplicativo, reservar o produto desejado pelo próprio celular e depois só passar na loja para finalizar a compra. A inovação tem nome: SHOPromo, uma plataforma inédita no segmento de shopping center que acaba de ser lançada pela Almeida Junior, maior empresa do Sul do Brasil de shopping. De olho no movimento do consumidor de pesquisar tudo pela internet antes de fazer a compra, a empresa conseguiu unir o virtual e o físico – o chamado omnichannel, reunindo o Neumarkt e Norte Shopping (Blumenau), Balneário Shopping (Balneário Camboriú), Garten Shopping (Joinville), Continente Shopping (Grande Florianópolis) e Nações Shopping (Criciúma).  

 

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