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Colóquio sobre os dias - Por Gaby Haviaras

Colóquio sobre os dias Por Gaby Haviaras

Colóquio sobre os dias - Por Gaby Haviaras

Dança

Publicado em 27/04/2015 Comente!


Dança

O corpo sempre me ensinou sobre a vida através da dança. Com o primeiro par de sapatilhas, aos cinco anos, iniciei meu aprendizado tátil sobre limites, responsabilidade, respeito, valor, disciplina e transformação. Antes de tudo, o aprendizado através do corpo será sempre de transformação, em qualquer idade. O corpo é a manifestação material da nossa psique e nos desnuda perante nós mesmos.

Ainda criança, este processo é absorvido da forma mais eficiente. Sem filtro, o corpo aprende sem questionamentos. Com a caminhada, os limites e traumas da vida são impressos no nosso corpo e aí é que mora a expertise de ler o que ele nos informa em braile. Com a dança, aprendemos os próprios limites e que o outro também tem seus limites. Aprendemos sobre o espaço, o nosso e o do outro. Aprendemos sobre respeito, disciplina, sobre trabalhar em coletivo. Sobre traçar objetivos, metas e cumpri-los.

Desde que o mundo é mundo, a humanidade e os animais dançam. Dançam para comemorar, para realizar passagens, para manifestar outros mundos, dançam para chuva e para a colheita. Visto de fora seria uma grade bola azul dançante em aspirais cósmicos. Mas a moralidade foi tirando a sapatilha daqueles que se manifestavam, daqueles que, assim, se curavam, ao entrar em contato com a natureza através dos gestos e da sua essência mais genuína. E a dança foi aprisionada em gênero, classe e cultura. Cadeados morais aprisionaram o corpo. E corpos que não se manifestam, adoecem.

Quando digo dança não me refiro a nada especifico e técnico, mas sim à manifestação física que nos põe em contato direto com o corpo. Sejam elas as danças tradicionais das culturas, onde as famílias aprendem de geração em geração e onde dançam mulheres, homens e crianças. Sejam as danças indígenas, as danças caseiras no meio da sala, as danças folclóricas, o carnaval, os bailes de salão, as coletivas, as individuais. Elas terão sempre algo para nos transformar.

Toda esta reflexão parte deste momento em que o movimento me desafia novamente. Com um histórico de dança ao longo da vida, hoje me encontro novamente desafiada e mais uma vez me disponibilizando para desconstruir padrões físicos, por consequência mental. Por conta de um novo espetáculo que estamos ensaiando comecei a fazer aulas de Flamenco. Uma linguagem que sempre admirei, porém nunca tinha entrado de cabeça. Ai você pensa: “mas dançou a vida toda, pega rápido”. O que desafia não é o que já se tem conquistado, é o que você precisa desconstruir para conquistar, o incerto de si mesmo.

Mexer com o corpo sempre será uma grande viagem de você até você mesmo, um processo de autoconhecimento que não se dá apenas por vias racionais. Uma oportunidade de ser mais feliz e saudável, através da disponibilidade para a transformação. Dance o que for, dance para se curar, para se transformar, para se conhecer. Apenas dance e seja você.

 

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