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Colóquio sobre os dias - Por Gaby Haviaras

Colóquio sobre os dias Por Gaby Haviaras

Colóquio sobre os dias - Por Gaby Haviaras

SECA

Publicado em 27/02/2015 Comente!


Pós-carnaval. Enfim, o ano começou pela segunda vez. Da primeira, bombástico e, da segunda vez, bem mais seco. Conforme a tradição brasileira do “deixa para depois do carnaval”, cá estamos nós, com as mesmas manchetes de jornais, e sem sombra das serpentinas, confetes e purpurinas. E sem água para lavar a alma, as ruas com o cheiro da folia, os pratos,os prantos e a sujeira de Brasília.

O Brasil está seco e o brasileiro ressecado! A bucha seca que esfrega a sujeira do banho diário, a gota que não pinga, a louça mal lavada, o corre-corre atrás da sobrevivência banhado apenas a suor desse verão tão severo. Esse Brasil que era conhecido apenas no Nordeste, assistido pela TV depois de um belo banho. Uma região que sempre clamou por chuvas chamadas de benção, por água para o gado e plantação, fome e sede. Esse Brasil tratado com distância pelos olhos mais ao sul, agora está em toda parte.

Acharam poesia quando se ouviu “o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão” por Antônio Conselheiro. E o que é a poesia, senão um transbordamento da sutil realidade? As ricas cidades do Sudeste e Sul, cheias de vida, dinheiro, água em abundância para as calçadas, os carros asseados, para os banhos de mangueira e as imponentes jacuzzi dos hotéis luxuosos, seguem os passos da terra rachada do sertão. E parece que foi tudo de ontem para hoje, pois não se viu o sutil vazamento da água pelas más estruturas, manutenções e pela falta de consciência do uso há anos e anos.

Será necessário reaprender a viver, caros sulistas! Haverá tempos que pessoas simples do sertão virão dar cursos de como sobreviver na seca, os artifícios criativos do dia a dia das casas e cidades inteiras. Falarão de como evitar o desperdício de água, quando se tem apenas uma moringa para uma família inteira. Terão respostas para banhos rápidos com panos úmidos, preparo de alimentos sem água e dirão: a secura dá resistência ao homem, que, com pés e pele rachada, cria a própria casca para os próximos dias.

A seca é real e metafórica! A real, clama por chuva, consciência, manutenção, planejamentos. A metafórica clama por um Brasil mais honesto, menos corrupto, menos burocrático, enquanto a esperança racha a cada dia.

Gaby Haviaras

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