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Horizontes do poder - Por Caio Manhanelli

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A Sombra Eleitoral das Manifestações

Publicado em 28/08/2014 Comente!


As pesquisas não mentem, mas como os oráculos da antiga Grécia, falam de forma enigmática, apesar de serem apresentadas como a mais simples verdade absoluta. Toda divulgação de pesquisa, em suas linhas, tem uma frase que busca alimentar esse imagético de precisão e singeleza, “se as eleições fossem hoje”. Se... mas não são, e SE pesquisa fosse eleição, não precisaríamos de urna eletrônica, transmissão de dados por canais do sistema celular, tão pouco toda essa parafernália que esconde nosso voto dentro da caixinha hermética do voto eletrônico, justificada pelo tal direito indelével da democracia, esse magnânimo “voto secreto” (que é tão secreto que nem quem vota sabe se seu voto foi para quem deveria...).

MAS, as pesquisas. Elas falam sim de forma enigmática, primeiro esse SE, uma partícula que denota uma possibilidade, e possibilidade é algo que, em uma ponta, pode ser remota, na outra quase certa, porém, nunca é absolutamente certa (afinal, tem margem de erro né...). Depois o aspecto da própria divulgação, aí entra a necessidade e interesse dos meios que as divulgam, e a manchete é sempre sobre os dados ESTIMULADOS. Por que do destaque? Simples: quando se estimula algo, quer dizer que se está induzindo alguém a responder. Se estamos falando de indução, ou “forçar a barra”, não estamos falando de uma vontade perene àquele que responde, mas uma possível (novamente incerta) escolha lá naquele dia que vai ter eleição (qual é o dia mesmo?). Fico me perguntando, e se as pesquisas de intenção de voto adicionassem a pergunta, “O senhor sabe em que dia serão as eleições?”, quantas pessoas acertariam, e das que acertariam, eu gostaria de saber quais suas intenções de votos...

Está aí, as pesquisas falam a verdade, mas de forma oblíqua, é preciso cruzar dados, ter referência, saber quais outros dados foram coletados e entender o que quer dizer a intenção de voto em relação às outras respostas. Como diria uma antiga professora minha de Antropologia Urbana (e de Pesquisas Qualitativas), “é preciso ter uma sensibilidade qualitativa para analisar as pesquisas quantitativas”.

Daí me parece que essa intenção ESTIMULADA, que é resultado de todo um quadro, não só de obrigação jurídica do brasileiro votar, mas da obrigação moral que sentimos por conta de nosso processo histórico (Ditadura, Diretas, Collor, Impeachment...), é mais a sombra dos sentimentos aflorados nas manifestações de junho de 2013 do que de fato a decisão dos eleitores em votar em alguém (decisão de fato não é, pois a decisão é só na hora de apertar os botões da máquina mágica de votos), e Marina sabe disso, e está investindo em ser a representante dos queixosos das manifestações.

O que chegaria mais perto desse momento de decisão seriam os dados ESPONTÂNEOS, que normalmente, como em bulas de remédios ou em manuais de equipamentos, estão nas letras miúdas das matérias que divulgam pesquisa, quando aparecem. Espontâneos, hoje, segundo a última pesquisa CNT/MDA, Dilma tem 26,4%, Marina 18,5% e Aécio 11,3%. Espontâneo quer dizer que, sem apresentar nome nenhum, se pergunta “em quem o senhor vai votar”, e a resposta é espontânea, voluntária, “sem interferências”. Esses índices são os que mais se aproximam da hora da decisão, mas ainda esses números podem mudar, afinal, só acabou o carnaval faz um mês, e só começou as eleições de fato agora, pois antes a população e nem os políticos podem discutir política juntos, é proibido.

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