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Horizontes do poder - Por Caio Manhanelli

Horizontes do poder Por Caio Manhanelli

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Memórias póstumas de um candidato à presidente

Publicado em 18/08/2014 Comente!

Eduardo Campos/ Foto divulgacão Beto Barata

Eduardo Campos/ Foto divulgacão Beto Barata

O tempo urge, e apesar do luto e dos sentimentos quanto à fatalidade que atingiu o candidato à presidência do PSB, Eduardo Campos, é preciso fazer contas e compreender o novo arranjo do cenário eleitoral, principalmente agora, a pouco mais de 50 dias das eleições, ademais, em uma campanha atípica totalmente atrasada por todo o país.

Alguns fatores precisam ser ponderados e avaliados segundo uma visão total do processo eleitoral, além das pesquisas de intenções de votos estimuladas divulgadas por todo o país. Tal como pesquisas e análises matemáticas, é preciso trabalhar com as categorias de variáveis e constantes. Façamos isso recapitulando a partir do período pré-eleitoral para apontar as possibilidades derivadas das decisões tomadas, avaliar as variáveis a partir das constantes.

Primeiro, a decisão do PSB em ter um candidato à presidência. A constante se objetivou no momento em que houve o registro da candidatura em junho desse ano, apesar da decisão ter sido enunciada faz quase um ano. A dúvida aqui é a motivação da executiva do PSB, lembrando que em primeiro momento o potencial candidato, Eduardo Campos, não assumiu de pronto sua candidatura. Podemos dizer que é o velho discurso político, negar a sua vontade pessoal para dizer que atende ao chamado do partido, portanto, à vontade do coletivo partidário, ou que a diretiva ainda não havia lhe exposto seu plano, assim tendo uma reação mais autêntica de Campos, pego de surpresa com a decisão da direção de seu partido em ter candidato.

Seja qual foi a motivação, vamos levantar outras potenciais constantes da situação. Campos e o PSB foram muito beneficiados politicamente nos três governos federais petistas, e sua decisão gerou indignação do eleitorado petista. Avaliando o cenário, apesar de Campos provir de uma região de forte adesão ao governo Lula/Dilma, portanto, “disputando” um eleitorado que seria de Dilma para a reeleição, sua imagem, e o trabalho sobre sua imagem, é mais próxima à de Aécio (PSDB) do que de Dilma, e a campanha petista feita entre militantes para pintá-lo como um traidor reforça a ideia de que alguém que potencialmente votaria na Dilma, não votaria em Campos de forma alguma. Isso levou a analistas pensarem, pautados em pesquisas de opiniões de intenção de voto estimulada, que havia mais chance de vitória em primeiro turno de Dilma com a candidatura de Campos. O balanço é Campos tira mais voto de Aécio do que de Dilma, sua candidatura beneficiava o PT, justamente pelo quadro de batalha estar pintado, e como a velha tática de governos de situação apregoa, quanto mais figuras de oposição, melhor para quem está na situação, pois os votos de quem está satisfeito com o governo vão para um só, já os dos descontentes se dispersam entre os vários de oposição.

Segundo, a entrada de Marina Silva na chapa do PSB, por conta de seu partido não ter conseguido as assinaturas suficientes conforme lei. Aqui é preciso pôr em relevância outro fato, a eleição de 2010, quando Marina fez aproximadamente 20 milhões de votos, que se dividiram praticamente por igual no segundo turno para Dilma e Serra. A variável, novamente, fica por conta das intenções ou planos da executiva do PSB.

O que pode ser aventado, pautado por essa conta falha feita por políticos e imprensa, mal amparada no pressuposto torpe de que o “voto é propriedade dos políticos”, é que se Marina tivesse sido bem sucedida com a Rede Sustentabilidade para esse pleito, ela como cabeça de chapa tiraria votos por igual do PT e do PSDB, repetindo o fenômeno de 2010. Ela, como vice da chapa de Campos, não agrega tão facilmente (não como acontece nos EUA) os votos que teve em 2010, pois mesmo que ela tenha destaque junto ao cabeça de chapa, sabemos que no Brasil o voto vai para o candidato não para seu vice. Nessa configuração o potencial de votos que Marina traria à chapa é mais forte entre os eleitores que em 2010 migraram para o PSDB do que entre os eleitores que migrariam para o PT, já que uma campanha forte de rejeição à Eduardo Campos já estava sendo feita entre esses eleitores, além do mais, a própria Marina perde popularidade entre esse eleitorado potencialmente afeito ao PT por declarações e postura revanchista ao se filiar ao PSB.

Agora, seja qual foi a intenção ou plano da diretiva do PSB, se estavam ou não negociando algo com a diretiva do PT, com a morte de Campos toda essa configuração cai por terra, pois, se Marina assume a candidatura, não há como reverter sua opinião sobre o PT, tão pouco forçar que ela apoie o PSDB em um eventual segundo turno. As próximas pesquisas de intenção de voto mostrarão qual será a tendência do eleitorado. O que poderá acontecer é o próprio PSB tirar seu time de campo, lembrando que Marina não É PSB, ela ESTÁ PSB, não faz parte do partido de fato, só de direito. Indicativo da retirada estratégica do PSB foi a notícia de hoje de que Roberto Freire (PPS), pernambucano, ex-senador pelo seu estado e atualmente deputado federal por São Paulo (uma migração muito interessante e sociologicamente explicável), é cotado como vice na chapa, assim, pois as lideranças são seus próprios partidos, o PSB ficaria à cavaleiro para seguir seu rumo após o primeiro turno, independente das decisões de Marina.

Aguardemos cenas dos próximos capítulos dessas eleições que realmente ficarão para a história e que se parecem mais com obra típica de nossa ficção televisiva cotidiana...

O tempo urge, e apesar do luto e dos sentimentos quanto à fatalidade que atingiu o candidato à presidência do PSB, Eduardo Campos, é preciso fazer contas e compreender o novo arranjo do cenário eleitoral, principalmente agora, a pouco mais de 50 dias das eleições, ademais, em uma campanha atípica totalmente atrasada por todo o país.

Alguns fatores precisam ser ponderados e avaliados segundo uma visão total do processo eleitoral, além das pesquisas de intenções de votos estimuladas divulgadas por todo o país. Tal como pesquisas e análises matemáticas, é preciso trabalhar com as categorias de variáveis e constantes. Façamos isso recapitulando a partir do período pré-eleitoral para apontar as possibilidades derivadas das decisões tomadas, avaliar as variáveis a partir das constantes.

Primeiro, a decisão do PSB em ter um candidato à presidência. A constante se objetivou no momento em que houve o registro da candidatura em junho desse ano, apesar da decisão ter sido enunciada faz quase um ano. A dúvida aqui é a motivação da executiva do PSB, lembrando que em primeiro momento o potencial candidato, Eduardo Campos, não assumiu de pronto sua candidatura. Podemos dizer que é o velho discurso político, negar a sua vontade pessoal para dizer que atende ao chamado do partido, portanto, à vontade do coletivo partidário, ou que a diretiva ainda não havia lhe exposto seu plano, assim tendo uma reação mais autêntica de Campos, pego de surpresa com a decisão da direção de seu partido em ter candidato.

Seja qual foi a motivação, vamos levantar outras potenciais constantes da situação. Campos e o PSB foram muito beneficiados politicamente nos três governos federais petistas, e sua decisão gerou indignação do eleitorado petista. Avaliando o cenário, apesar de Campos provir de uma região de forte adesão ao governo Lula/Dilma, portanto, “disputando” um eleitorado que seria de Dilma para a reeleição, sua imagem, e o trabalho sobre sua imagem, é mais próxima à de Aécio (PSDB) do que de Dilma, e a campanha petista feita entre militantes para pintá-lo como um traidor reforça a ideia de que alguém que potencialmente votaria na Dilma, não votaria em Campos de forma alguma. Isso levou a analistas pensarem, pautados em pesquisas de opiniões de intenção de voto estimulada, que havia mais chance de vitória em primeiro turno de Dilma com a candidatura de Campos. O balanço é Campos tira mais voto de Aécio do que de Dilma, sua candidatura beneficiava o PT, justamente pelo quadro de batalha estar pintado, e como a velha tática de governos de situação apregoa, quanto mais figuras de oposição, melhor para quem está na situação, pois os votos de quem está satisfeito com o governo vão para um só, já os dos descontentes se dispersam entre os vários de oposição.

Segundo, a entrada de Marina Silva na chapa do PSB, por conta de seu partido não ter conseguido as assinaturas suficientes conforme lei. Aqui é preciso pôr em relevância outro fato, a eleição de 2010, quando Marina fez aproximadamente 20 milhões de votos, que se dividiram praticamente por igual no segundo turno para Dilma e Serra. A variável, novamente, fica por conta das intenções ou planos da executiva do PSB.

O que pode ser aventado, pautado por essa conta falha feita por políticos e imprensa, mal amparada no pressuposto torpe de que o “voto é propriedade dos políticos”, é que se Marina tivesse sido bem sucedida com a Rede Sustentabilidade para esse pleito, ela como cabeça de chapa tiraria votos por igual do PT e do PSDB, repetindo o fenômeno de 2010. Ela, como vice da chapa de Campos, não agrega tão facilmente (não como acontece nos EUA) os votos que teve em 2010, pois mesmo que ela tenha destaque junto ao cabeça de chapa, sabemos que no Brasil o voto vai para o candidato não para seu vice. Nessa configuração o potencial de votos que Marina traria à chapa é mais forte entre os eleitores que em 2010 migraram para o PSDB do que entre os eleitores que migrariam para o PT, já que uma campanha forte de rejeição à Eduardo Campos já estava sendo feita entre esses eleitores, além do mais, a própria Marina perde popularidade entre esse eleitorado potencialmente afeito ao PT por declarações e postura revanchista ao se filiar ao PSB.

Agora, seja qual foi a intenção ou plano da diretiva do PSB, se estavam ou não negociando algo com a diretiva do PT, com a morte de Campos toda essa configuração cai por terra, pois, se Marina assume a candidatura, não há como reverter sua opinião sobre o PT, tão pouco forçar que ela apoie o PSDB em um eventual segundo turno. As próximas pesquisas de intenção de voto mostrarão qual será a tendência do eleitorado. O que poderá acontecer é o próprio PSB tirar seu time de campo, lembrando que Marina não É PSB, ela ESTÁ PSB, não faz parte do partido de fato, só de direito. Indicativo da retirada estratégica do PSB foi a notícia de hoje de que Roberto Freire (PPS), pernambucano, ex-senador pelo seu estado e atualmente deputado federal por São Paulo (uma migração muito interessante e sociologicamente explicável), é cotado como vice na chapa, assim, pois as lideranças são seus próprios partidos, o PSB ficaria à cavaleiro para seguir seu rumo após o primeiro turno, independente das decisões de Marina.

Aguardemos cenas dos próximos capítulos dessas eleições que realmente ficarão para a história e que se parecem mais com obra típica de nossa ficção televisiva cotidiana...

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