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Raspas e Restos - Por Francisco Alpendre

Raspas e Restos Por Francisco Alpendre

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A Última Fronteira Masculina

Publicado em 06/06/2014 Comente!


Mulheres hoje fazem tudo que os homens fazem. Inclusive as coisas mais chatas do mundo. A tal liberdade feminina, quando elas pararam de sentir vergonha de serem rotuladas trouxe algumas coisas estranhas. Vamos lá: hoje em dia, é cheio de mulher que vai ao jogo do Avaí. E vamos combinar: pela televisão (Premiere Série B) vão umas meninas ajeitadas, que não fariam feio em qualquer balada por aí da Ilha. Baita programa de índio. Ir em pelada, pra torcer pra time ruim já foi privilégio masculino. Não é mais.

Os exemplos são dos mais variados: mulher que se acaba na academia e fica só comendo verdura, proteína e tomando anabolizante. Lá pelos idos de 1990 apenas homens entravam na área de pesos de uma academia. Hoje em dia, elas superam com facilidade o número de caras bombados e o culto ao corpo virou uma chatisse sem limites.

Falar palavrão? Aponte-me uma mulher que não diga “f.” ou “caralho” e eu te trarei junto uma aliança de noivado. Bravatear sobre conquistas amorosas? Quem não ouve em alto e bom som sobre “qual cara estou pegando” ou “aquele cara é nota 4 na cama” ou, melhor ainda, ‘meu ex brochava constantemente”.

Passei realmente a achar que tudo estava perdido e os sexos haviam se igualado na mediocridade quando passei a ver mulheres bonitas, distintas, estudadas, acompanhando UFC com outro grupo de mulheres. Saber como bate o Cigano, as mazelas do Anderson Silva, ou peculiaridades daquele bando de brucutus desta selvageria que alguns julgam ser esporte era o ocaso final do óbvio: a reserva moral feminina, salvo raras e augustas exceções que nos diferenciava de um bando de primatas deixava de existir.

Eis que surge a gloriosa Copa do Mundo como um enorme divisor de águas. Copa do Mundo, você sabe, é aquele evento esportivo que de 4 em 4 anos faz com que todos os homens do mundo efetivamente XY inventem mirabolantes desculpas para não irem trabalhar e ficarem em suas casas, ligados a seus televisores assistindo a grandes clássicos do futebol mundial. Repare na sua empresa a quantidade de atestados que pululam de 4 em 4 anos, mais precisamente no mês de junho. Repare na quantidade de desculpas inventadas. Convenhamos: todas justificadíssimas.

Quem não se lembra daquele inesquecível Camarões x Inglaterra da Copa de 90? Ou do Argentina x Romênia da Copa de 94? Argentina x Holanda de 1998? Enfim, as combinações clássicas são inúmeras. Todas merecedoras de uma bela matada em qualquer compromisso agendado.

Todavia, caros leitores, para realmente provar a sua masculinidade com H absolutamente maiúsculo, o macho precisa assistir não a essas grandes sagas do futebol mundial. Deve, isso sim, presenciar via televisão os 56 jogos possíveis (não esqueçamos que a Copa possui 64 mas 8 são no mesmo horário, para “evitar” marmelada. E eu não exigirei para comprovação absoluta da masculinidade que se assistam a tapes ou dois jogos ao mesmo tempo).

Nigéria x Irã. Chile x Austrália. Suíca x Equador. Croácia x Camarões.

E o anônimo pergunta: o que isso tem a ver com as mulheres do início do texto? Tudo, caro leitor. Porque essa Copa determinará a fronteira final que demonstrará se homem e mulher enfim se fundiram num único sexo – o sexo chato. UFC. Palavrões. Alcoolemias. Sexo sem amor. Tudo isso até agora era triste, porém tolerável. Agora, já pensou se elas começarem a GOSTAR de assistir Bósnia x Argentina? Se elas cancelarem a aula de treinamento funcional para uma animada Colômbia x Japão? Se a cachaça da quinta-feira, naquele happy hour que não termina nunca ser substituída por Costa do Marfim x Grécia? E, pior – não para ver qual jogador é mais bonito do que o outro, mas para contar nos dedos qual saldo de gols o Uruguai precisa meter na Costa Rica para não depender de um outro resultado?

Por isso, digo sem medo de errar: a fronteira final está chegando. 13 de julho. Reze muito. Judgement Day. O dia em que saberemos se retornamos ao elo perdido. Inclusive de gênero.

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Por Francisco Alpendre