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Horizontes do poder - Por Caio Manhanelli

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O Que se Espera de um Candidato

Publicado em 21/04/2014 Comente!

Foto divulgação

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Faz pouco foi notícia uma ação movida pelo pré-candidato à presidência, Aécio Neves, pedindo que nas buscas e nas redes sociais, seu nome não fosse vinculado ao “uso de entorpecentes” e desvio de dinheiro durante seu mandato como governador de Minas Gerais. Não é de hoje que a equipe desse candidato vem tomando atitudes para inibir ataques à sua imagem, mas até agora nenhuma havia ganho amplitude nacional, tão pouco uma repercussão judicial, essa, negativa, que consequentemente fez um risco em sua imagem nacionalmente.

No concurso de marchinhas carnavalescas Mestre Jonas, que foi contemplado com a política pública de incentivo à cultura do governo do estado de Minas Gerais, uma marchinha que faz piada com o caso Perrela (O Baile do Pó Royal) ganhou o prêmio de primeiro lugar este ano. Antes do resultado do concurso, um vídeo com a música foi publicado no Youtube, e misteriosamente foi retirado do ar. Sabe-se que quando isso acontece o motivo é denúncia direta à administração do portal de vídeos. Porém, após a primeira “censura”, o vídeo se proliferou no ar, e em menos de uma semana já possuía 10 postagens em canais diferentes do portal e os dois mais visitados, somados, tinham por volta de 40 mil visualizações. O caso não teve tanta repercussão, e como sempre, o concurso manteve seu viés de crítica bem humorada (no melhor ritmo de bobo da corte) e autonomia típica do teatro picaresco (vamos ver até quando com apoio de uma política pública estadual mineira...).

Em certo momento do mandato presidencial de Lula (em 2004), um jornalista norte-americano que observou o excessivo consumo de álcool pelo então presidente, foi ameaçado de expulsão do país, e o caso foi contornado com acordos entre advogados e um pedido de retratação do jornalista, que hoje tem um livro recém lançado sobre como o Brasil tem caminhado de vento em polpa com a presidenta Dilma (Brasil em Alta de Larry Rother). O que pareceu para a elite brasileira um absurdo ditatorial e um risco de crise internacional, para a popularidade de Lula não foi nem um arranhão. Uma coisa é um gringo falar do vício de um presidente brasileiro, outra coisa são os próprios brasileiros serem censurados por falarem o que pensam de um político brasileiro. Não esqueçamos que no rito das eleições os papeis se invertem, político deixa de ser autoridade para ser alvo de críticas e chacotas, nesse ritual ele deve parar de mandar e passar a pedir, e quanto mais se tenta responder à “charges”, mais afirma-se que o que é piada pode ser uma verdade.

A questão para o eleitor não é se há ou não verdade, mas o quanto o político se sujeita à ser democrático com seus próprios eleitores, o quanto ele aceita ser criticado, e isso tem ganhado relevância a cada dia que passa, não só no Brasil, como em todo o mundo.

Como exemplo, a atual disputa pela presidência argentina trouxe uma surpresa para os políticos tradicionais do país, um prefeito que era tido como bem sucedido, mas por ser administrador de uma pequena cidade da província de Buenos Aires não era cotado como páreo para enfrentar governadores ou o prefeito da capital federal, hoje é o primeiro lugar nas pesquisas. O que isso tem a ver? Ele é destaque e sempre foi reeleito em sua cidade por sua postura transparente e acessível. Um dia na rua uma cidadã de mais de 60 anos de idade o parou para cobrá-lo por uma obra, e ele lhe deu atenção, respondeu dando satisfação sobre os motivos de não haverem iniciado as obras e o prazo de quando se iniciaria... Ser criticado pelo seu eleitor é mais do que fazer política, é o papel do político que se julga de fato um representante de seus votos.

Isso pode não ser tão bem elaborado para ser verbalizado por um eleitor brasileiro, mas é nesse raciocínio que operam as respostas eleitorais (nas urnas) dos cidadãos aos candidatos (outro caso foi o primeiro turno da eleição presidencial que elegeu Dilma, mas esse já é outro assunto...). Aécio ainda não foi enterrado por esse tipo de deslize estratégico, mas tais atitudes tem minado sua imagem, tão dificilmente construída, de acessível e carismático. Não é o fato de ser ou não um viciado que vai fazer alguém votar ou deixar de votar em um presidente, mas o fato de ele se doer por fofocas, e consequentemente, tentar calar quem o acusa levianamente, pode levar à perda das esperanças eleitorais (Lula aprendeu isso com o caso Lurian). No final, vale o adágio, “quem não deve, não teme”...

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