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Raspas e Restos - Por Francisco Alpendre

Raspas e Restos Por Francisco Alpendre

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Ministério Público: o nome dela é Daniella.

Publicado em 26/03/2014 Comente!

Foto divulgação

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Algumas colunas atrás escrevi sobre a amizade masculina e como ela era o grande acontecimento na vida de um homem. Infelizmente, a coluna atingiu algumas pessoas, o que não era a intenção e saiu do ar. Mas, tudo bem. Se a amizade masculina foi assassinada, ao menos virtualmente, temos a feminina, para não deixar o assunto morrer. Falando em amizades em geral, a vida me reserva enormes surpresas com alguns amigos. Tem amigo que não era nada, virou tudo. Tem amigo que era tudo, virou nada. Tem analfabeto que ficou rico, Tem rico que continuou analfabeto. Tem mala que continua mala. Agora tem aqueles que nem em sonhos eu consigo acreditar o que fizeram da vida. E é aí que entra a Dra. Daniella Abreu.

A Dani, como eu carinhosamente a chamava, era minha melhor amiga uns 10 anos atrás. Amiga de balada, de vida, confidente. Invertemos aquela maxima criada no filme Harry e Sally: jamais nos relacionamos e mantivemos a amizade. Ficava sempre em meu apê em Curitiba quando ia lá participar de cursos. Engenheira das mais competentes, certa feita ela resolveu que era queria outra coisa da vida, separou e foi morar na Inglaterra. A long and winding road da vida a levou pro Velho Mundo, enquanto eu fiquei no Novo, com as práticas velhas. Quase 10 anos sem ver a Dani, eis que a reencontro naquele esquema de linkedin, facebook. E eis que uma checagem rápida e chego a uma rápida conclusão: a Dani virou celebridade internacional.

Não é pouca coisa. Phd na Universidade de Birminghan, a Dra. Daniella virou especialista mundial em sustentabilidade. Até jurada de prêmio na Inglaterra sobre o assunto virou. Sobre a alcunha “Dr. Sustainable” gerencia uma instituição que dá consultoria sobre o assunto no mundo inteiro. Eu fiz Mestrado em Sustentabilidade sócio-econômica mas nem de perto chego na Dr. Sustainable. Dá um baita orgulho dela.

Enfim, infelizmente a coluna não é sobre a Dr. Sustainable. Até porque o floripanews não tem versão em inglês e não chega na Terra dos Beatles (fica a dica aí, Rodrigo Oliveira). A Dr. Sustainable sera extremamente útil, será o gancho desse processo porque só ela pode salvar essa compra absolutamente normal do Ministério Público de Santa Catarina. Explico, como se precisasse: o Ministério Público de nosso Estado, a instituição responsável por cuidar do patrimônio público de nossa Santa e Bela Catarina achou normal comprar, sem licitação, uma casa na rua Bocaiúva por R$ 160.000.000 (cento e sessenta milhões de reais) para construir sua nova sede

Não, senhores. Não é gozação. Longe disso. Talvez sentindo-se diminuído com as faraônicas obras do Judiciário do país – que giram sempre na casa das centenas de milhões de reais por móveis de granito puro, elevadores privativos para “autoridades”, imensas copas de cozinha, o MP local achou normal pagar essa nota toda apenas por uma casa e seu terreno. Não, não vem com um prédio de ouro junto. Ele ainda será construído. E deve custar isso. Ou o dobro disso. Ou metade. Vai saber. Obras públicas quando edificadas no Brasil seguem critérios que até Deus duvida. Quem vai pagar? Ganha um auxílio-moradia quem descobrir.

Enfim, o assunto não passou em branco e gerou assinaturas suficientes na ALESC para abrir uma CPI. Já tem gente tirando o corpo fora por razões óbvias: não querem ser investigados pelo MP. Eu acho justo. Até porque não vai mudar muita coisa e só seguirá um padrão: o da obviedade na cultura de obras de granito brasileiras.

Os representantes do MP dizem que é tudo absolutamente normal. E eu não poderia concordar mais. Só fazem o que todo mundo faz. Logo, é comum. Ordinário.

E onde entra a Dr. Sustainable? Ora, senhores. Se é tudo normal, vamos ao menos cuidar da nossa obrigação, como pais que queremos deixar algo para as gerações futuras (esse é o conceito principal do tema) : da sustentabilidade da obra. As fachadas deverão seguir uma luz adequada para iluminar os trabalhadores que lá habitarão, sem deixá-los desconfortáveis. A calefação deve gastar pouca energia – que tal algo no campo eólico? O lixo, por que não – pode ser tratado por meio de compostagem. O MP/SC será a primeira instituição do país a trabalhar todo o seu lixo orgânico, sem restos ou desperdício. Energia elétrica não entra. Solar é o caminho. Dizem que passa um laguinho no meio (não conheço o imóvel, só de fama – nunca tive grana suficiente pra passar perto). De laguinho pra cachoeira, com a pessoa certa, é dois toques. No minimalismo da economia pós-moderna, menos é mais.

Enfim, como já considero nosso caso perdido, vou me preocupar mesmo com a sustentabilidade. Só confio numa pessoa pra isso: Dra. Daniella Abreu. Dane-se tudo que não tiver Dani. MP, atenção: só penso nela, quem é ela, o nome dela?. É Daniella.

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Por Francisco Alpendre