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Raspas e Restos - Por Francisco Alpendre

Raspas e Restos Por Francisco Alpendre

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Sobre Putas, Tablóides e Afins, parte 2

Publicado em 05/03/2014 Comente!

Foto divulgação

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Caríssimo leitor. Espero que você não se importe em tê-lo enganado. Diante da enorme repercussão do artigo anterior, quis surfar na onda do sucesso efêmero e almejar um ainda mais fácil, colocando uma parte 2 no título, onde ele não merecia tanto. Revelo o porquê de enganá-lo: essa coluna é só sobre putas. Os tablóides e afins ficam pra uma próxima.

Pois bem, senhores: fascina-me sobremaneira a ainda permanente insistência dos meus pares com a atração às praticantes da suposta profissão mais antiga do universo – suposta porque estudos científicos dão conta que a profissão mais antiga do universo era de pescador ou coletor, a partir do momento em que existiu um sistema de trocas ou escambo em nossa sociedade. Antes de transar, era preciso comer. Transar de barriga vazia até hoje é um anti-clímax total.

Pois bem, certa feita perguntei ao mestre Fabio Aguayo, leal amigo, presidente da ABRABAR – Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, o porquê das boates em Curitiba estarem desaparecendo. Perdoem meu linguajar, mas sou um homem cuja adolescência varou os saudosos anos 90 - época em que “club” ou “casa” era boate. “Balada” era “night”. Homem era homem. Mulher era mulher. Gay era gay. O Fábio, mais velho que eu, mas imensamente mais inserido nos linguajares e gírias do meio (é empresário do ramo há mais de 20 anos) disse-me: “Alpendre, é que hoje em dia é muito fácil transar. Não precisa mais ir em zona, não”.

De uma hora pra outra nos tocamos que falávamos de coisas diversas. Eu falava dos clubs, ele dos “puteiros”. Achei a pauta do Fábio mais interessante pulei pra dentro dela. Os puteiros de Curitiba estão fechando porque o curitibano não vê mais necessidade de pagar pra transar. Pega quem ele quiser e faz o que estiver a fim. O próprio casado presumo, que quer dar seus pulinhos por aí, está pulando fora do ambiente da zona.

Curitiba sempre foi considerada a cidade com o gosto mais apurado e fino do país. Testes de produtos, serviços, até peças de teatro – se emplacam na chamada CWB, emplacam depois no resto do país. Será que isso mostra uma tendência?

Afinal, por que o homem tem essa necessidade de zona? Nossos pais, antes de conhecer nossas mães (em tese) iam lá. Por razões óbvias: menina que “dava” antes do casamento ficava tão mal falada que nunca mais cassava. Ficava pra titia na casa dos coroas. Ou seja: ou transava lá ou tinha que se contentar com outras formas de alívio. Minha geração já pegou uma fase diversa. Transávamos com a namorada depois me muito suor, promessas futuras e com uma ou outra gatinha mais liberada (que também ficava falada). Nesse cenário, também a zona de vez em quando podia ser uma idéia legal - eu fui em uma ou outra despedida de solteiro nelas, e olhe lá. Nunca vi realmente graça naquilo, até porque tirava o mérito do adolescente contar pros amigos a conquista: “Sabia que comi uma puta” não era mérito pra ninguém. A geração atual, como diz o Fábio, não tem mais tabu algum. Transa com quem quiser, como quiser. A mulher perdeu o medo de ficar falada, até porque se não for pra cama com meio mundo, certamente não ficará. Enfim, os tempos mudaram. Não precisa mais pagar pra ir pra cama com ninguém.

Mas então, cara pálida, era para os puteiros florianopolitanos estarem fechando. Mas, pelo contrário, eles só aumentam. E estão cada vez mais escancarados: propagandas em todos os lugares abrem um do lado do outro – a rua Mauro Ramos, então, é um celeiro de casas de tolerância. Enfim, como diz um amigo meu, “eles vão de vento em polpa (sic).

Quem pintar lá num determinado dia da semana verá tranquilamente, conhecidos, amigos, casados e, ironia suprema: até mulheres. Pois é: ir em casas de prostituição hoje em dia não é mais exclusividade de homens. Mulheres vão fazer o que não sei, mas já rolou papo de muita moça de sociedade estar presente nesses locais. Em cidade pequena e com fofoca, já viu. Vaza fácil, fácil.

Qual o fascínio de nossa pequena cidade por esses ambientes? O casado, por certo, busca um sexo fácil, uma aventura fora do casamento. Certamente não tem medo de expor sua esposa a DSTs ou coisas do gênero – jamais. Usa o processo como uma “oxigenação” de sua vida matrimonial. O solteiro busca algo mais fácil e de prazer mais imediato do que as baladas da moda – parece que os preços dela subiram muito, fica mais barato “meter” e gozar, sem pestanejar ou sem mexer no cartão de crédito. A troca parece justa: a mulher aceita ser tratada como objeto e se vende por isso. E vice-versa.

Enfim, o negócio parece ser dos melhores e todos parecem felizes. Será? As moças que ali trabalham o fazem literalmente por livre e espontânea vontade? Ou parte delas, carentes, entregam-se ao rufião de plantão para ter algo pra comer?

O Brasil é um dos poucos locais do mundo dito civilizado que trata a prostituição e o comércio sexual com tanta tolerância. Experimente fazer uma zona típica nossa, com transferência direta de dinheiro em locais dos mais liberais possíveis, como Áustria ou Suécia por exemplo. Nessas paragens, só rola prostituição nas internas, cara a cara, esquema todo camuflado. Talvez porque o Estado saiba que a comercialização na grande maioria das vezes não é medida livre comercial de quem o faz. Sempre tem um intermediário ou opressor por trás. Todavia, não vejo em nosso país uma mobilização das classes policiais ou dos guardiões da lei é respeito. Todo mundo usa, todo mundo tolera.

As minhas preferências em relação ao local e ambiente são irrelevantes. Ao leitor usuário dela, só peço reflexão. Se não for pelo método, por razões tão individualistas quanto as que estou encaminhando e requerendo que analise. O nobre amigo pode estar sofrendo um estelionato. Ou passando por trouxa. O mundo virou uma grande zona, colega. Deixe isso pra lá. Fique em casa, com sua esposa. Quer arrumar uma amante? Problema seu-as as opções são inúmeras. O solteiro: tá cheio de balada para todos os níveis. Você só sai sozinho se for muito ruim. Quer transar com várias, sem compromisso? Por que não uma casa de swing? Fora delas: redes sociais, aplicativos – tudo serve pra conectar. No final das contas, parceiro, lembre-se hoje em dia, só paga quem quer. Coitada da mulher que recebe. Coitado de quem paga.

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Por Francisco Alpendre