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Raspas e Restos - Por Francisco Alpendre

Raspas e Restos Por Francisco Alpendre

Raspas e Restos - Por Francisco Alpendre

Sobre Putas, Tablóides e Afins

Publicado em 21/02/2014 Comente!

Foto divulgação

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Prezado leitor: deixe-me avisá-lo de algumas preferências antes de você perder seu preciosíssimo tempo com essas linhas.

Primeiro: não gosto de prostitutas. Não no sentido “Jack o Estripador” da palavra. Respeito a profissão alheia e não faço juízos de valor sobre como cada um ganha seu pão, contanto que não seja minha parente em linha direta ou namorada. Não gosto de prostitutas no sentido profissional. Acho o ambiente de zona, do puteiro, patético e degradante. Pra quem paga e pra quem recebe. Não consigo ter qualquer capacidade de excitação com alguém que esteja comigo apenas pelo dinheiro nem ter qualquer diversão nesse sentido. Também não condeno o homem que o tenha. Todavia, não me venha com o comentário babaca que “é muito mais barato pagar uma pra transar do que levar pra jantar, ir pra balada, etc”. Quem emite e acredita nesse tipo de opinião merece pagar. Sempre. E achar que gozou. Sempre.

Segundo: gosto do Diário Catarinense. O leitor deve se assustar, já que o passatempo número 1 do catarina e do florianopolitano é malhar o Diário Catarinense enquanto esse escritor, que posa de intelectual vez ou outra, tem apreço por ele. Não tenho mais saco para ser do contraditório. Adoro hoje em dia ser platéia. Eu amo a platéia. Então não é por isso. Explico também: mal tenho tempo hoje de viver. É tanto trabalho, tanto rolo, tanta dedicação a várias searas da minha vida – trabalho, família, coração, amizades que um tabloidezinho simpático que eu consiga ler numa sentada de vaso vai me manter informado se o Obama ainda é negro, se a Dilma ainda é branca e se o Colombo já saiu de Lages pra trabalhar. Não vamos esquecer de colunistas de qualidade: Sérgio da Costa Ramos, Moacir Pereira e meu amigo de adolescência Ivo Muller. E do nosso eterno Cacau. Cacau é um caso à parte. Sempre um amigo sai abraçado com outro amigo, sempre uma amiga sai abraçada com ninguém, fazendo aquela pose sensualizada que ela acha que é sensualizada. E até eu, glória suprema da minha breve existência, tive minha latinha feia estampada no sr. Cláudio (?) Menezes. DUAS VEZES. Uma abraçada com o Pelé. No dia que o Pelé souber que saiu abraçado comigo no Cacau, ele vai pendurar as chuteiras. Chegará à conclusão que chegou ao auge de sua carreira.

Enfim, da junção prostituição mais Diário Catarinense, vem o grande assunto da semana na cidade: a propaganda institucionalizada de capa, encarte e contracapa no qual o puteiro Bokarra pagou para sair no encarte “Bem-Vindo à Copa”. O encarte é todo bonitinho: traduzido em 3 línguas, cheio do guéri-guéri, diz onde ir em Floripa, os principais drinks, baladas, etc.

O problema é que ninguém ligou pra isso. Todo mundo ligou para o anúncio de capa, encarte e contracapa da maior zona do Estado (ou mais famosa), que fica estrategicamente localizada embaixo do Hospital de Caridade. Fontes seguras do mundo da publicidade informam que a propaganda custou uns 20 mil. Deve valer a pena.

Estrangeiros, sempre que vêm ao Brasil, ainda mais sem suas esposas (como é o caso do Congresso da Fifa), fazem sua farrinha com as nossas prostitutas. Isso porque na Europa e na América esse serviço custa os olhos da cara, quando não dá cana braba. Aqui é tudo tolerado, tudo barato e as mulheres são inclusive melhores. GP de Fórmula 1 fecham as zonas gerais. Astro do pop que toca no Planeta Atlântida, idem. Executivos estrangeiros que dão seus pulos adoram uma zona. Enfim: o Brasil continua sendo a pátria do turismo sexual tolerado.

É um quadro tolerado, mas é um quadro triste. É mais triste ainda quando um veículo do porte da Rede Brasil Sul apóia e lucra com esse tipo de atividade, pensei. Pensei na qualidade do Diretor de Comunicação e Marketing que deixou passar essa bola. Na pauta de revisão. Postei no facebook. Vários compartilhamentos. Curtidas. Retratação do DC. Enfim. O assunto rendeu.

Enobrecido e inflado com meu orgulho pueril e cristão, crente que havia mudado o mundo (ou pelo menos o DC), acordo no dia seguinte e compro o tablóide (continuo gostando dele, não se esqueça). Deparo-me na página 3, no entanto com uma nota dizendo que o Governo do Estado havia repassado R$ 3.6 milhões de reais para o Costão do Santinho organizar a Congresso da Copa. Um congress privado. Num hotel privado. Pra gente privada. Discutir assuntos privados. Postei no Face, 5 comentários. Repercussão zero. As putas do Bokarra eram o grande problema, já dizia o filósofo Jaderson Weber.

Concluí – óbvio: a puta sou eu. E você. Pagamos para nos f. todo dia. E, enquanto somos f., prestamos atenção se a moça do lado está recebendo ou não. Eu sou um otário. E você também. O último que jogar a camisinha fora apague a luz.

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Raspas e Restos

Por Francisco Alpendre